domingo, 6 de janeiro de 2013

OS CARGOS NA ADMINISTRAÇÃO DE UMA LOJA MAÇÔNICA




Uma Oficina tem como um de seus pontos primordiais para um funcionamento justo e perfeito a troca de vibrações harmônicas entre os OObr.’.. Por isso quanto mais conhece a administração de uma Loja, mais competente torna-se o Maçom para exercer cada um de seus cargos. É essencial, assim, que o Maçom tenha pleno conhecimento dos cargos ocupados em Loja, bem como conheça as atribuições de cada um de seus ocupantes.
O número e a denominação dos cargos variam de Rito para Rito, sendo alguns cargos, no entanto, integrantes de todos Ritos. Dentre os Ritos adotados em nosso País, daremos mais ênfase neste trabalho ao RITO ESCOCÊS ANTIGO E ACEITO, adotado por esta Augusta e Respeitável Loja Simbólica. Esse Rito organiza seus cargos desta forma:
Ven.’.M.’., 1º Vig.’., 2º Vig.’., Orad.’., Secret.’., Tesour.’., Chanc.’., Hospit.’., M.’.de CCerim.’., 1º Diac.’., 2º Diac.’., 1º Exp.’., 2º Exp.’., Porta-Band.’., Porta-Estand.’., Porta-Esp.’., Cobr.’.Int.’., Cobr.’.Ext.’., M.’.de Banq.’., M.’.de Harm.’.M.’.Bibliotecário e M.’.Arq.’.
Vale deixar bem claro que, tanto a definição de cargos, como a localização física dos ocupantes em Loja ainda hoje são motivo de divergência entre os estudiosos. Adotamos aqui o entendimento dos especialistas Francisco de Assis Carvalho, Walter Pacheco Junior e José Castellani. Essa visão pode ser diferente daquela de outros Maçons.
Todos sabemos que os cargos em Loja são enormemente carregados de simbolismo. É aliás próprio da essência maçônica tal simbolismo. Temos a mais firme convicção disso. Entretanto, neste modesto e despretensioso trabalho, procuramos agrupar os cargos em Loja em função da condução administrativa de uma Oficina. Nunca é demais enfatizar que, mesmo com esse enfoque burocrático- -administrativo, não podemos nem devemos esquecer o sentido esotérico que cada Dignidade e Oficial devem imprimir a sua função. Afinal, somos uma Loja, e não uma repartição pública.
Fique bem claro que não é pretensão nossa dissecar de forma definitiva os atributos de cada cargo e todas as inúmeras obrigações das dignidades e Oficiais de Loja. Existe uma extensa literatura, de competentes autores, nacionais e estrangeiros, tratando desse assunto. A nossa ideia é definir parâmetros que permitam montar uma estrutura na qual os processos administrativos possua fluir sem solução de continuidade.
Pode-se visualisar essa estrutura como um conjunto de células de ação agrupadas em torno de um eixo coordenador central. Note-se que, nas células definidas a seguir, um ocupante de determinado cargo pode atuar em mais de uma área. Essa flexibilidade é particularmente bem-vinda em Lojas cujo pequeno Quadro de OObr.’. não permite que todos os cargos sejam efetivamente ocupados. Uma estrutura a adotar seria a seguinte:

COORDENAÇÃO GERAL

É muito comum considerar-se que a administração de uma Loja cabe inteiramente a seu Venerável. Data vênia, não concordamos com essa premissa. Entendemos a Loja como um corpo com diversos órgãos que, embora tenham funcionamento distinto, interagem uns com os outros, todos sob o controle do cérebro – o Ven.’.M.’. – que tudo coordena. Ou seja, indiscutivelmente, o Ven.’.M.’.deve imprimir sua marca pessoal em todas as áreas, mas jamais procurar tolher ou inibir os ocupantes dos cargos.

Atuantes

Ven.’.M.’.
1º Vig.’.
2º Vig.’.
Venerável Mestre
Uma Oficina é reconhecida pela atuação de seu Venerável e ele deve obter de forma espontânea o reconhecimento de seus pares, realizando-se, assim, todas as Reuniões em comunhão fraternal. Não é a rigidez na condução da Loja que a faz crescer, mas sim uma perfeita distribuição de atividades, sempre supervisionadas pelo Ven.’.M.’..
Dessa forma, sendo atividades como as de Controle, Orientação, Coordenação e Planejamento, inerentes ao cargo do Venerável, deve essa dignidade exercer esse munus definindo atividades para todos os Oobr.’., seja designando-os para Comissões, seja solicitando-lhes trabalhos maçônicos. Um Ven.’.M.’. não deve permitir o ócio entre seus Oobr.’.. pugnando para que todos sem exceção, do Ap.’.M.’. ao M.’. M.’., enfronhem-se nas atividades da Oficina.

Primeiro e Segundo Vigilantes

Sendo os substitutos do Ven.’.M.’., devem os VVig.’.estar sempre a par do modelo administrativo posto em prática pelo Venerável de sua Loja, para que nos impedimentos desse, aqueles possam dar seguimento, sem rupturas, à administração da Loja, consoante o estilo que vinha sendo adotado. Os VVig.’.devem dividir com o Venerável a tarefa de Instrução e cobrança de trabalhos dos OObr.’.da Loja.

SETOR ADMINISTATIVO

Atuantes

Sec.’.
Orad.’.
Chanc.’.
Arquit.’.
O Sec.’. atua na escrituração e conservação dos Livros e Arquivos da Loja, assim como coordena o fluxo de correspondência e expedição de certidões Ao Orad.’.cabe receber do Irm.’.Sec.’. Decretos e Leis expedidos pelos Grãos-Mestrados, para serem lidos em Loja; fiscalizar a leitura da cédula de eleição, conferir a coleta do Tronc.’.de Benef.
O Irm.’.Chanc.’.Guarda Fiel do Timbre e do Selo da Loja tem a seu cargo Manutenção do Livro de Frequência.
É bom lembrar que os Livros de Frequência devem ser dois, um para OObr.’. do Quadro da Loja, e outro para registro dos visitantes; emissão de Certificados de Presenças de Visitantes; elaboração de Mapa Mensal de Freqüência para definição daqueles IIr.’. que podem exercer o direito de voto nas eleições; mantêm sob sua vigilância os Livros Amarelo e Negro.
O primeiro onde são lançados os nomes daqueles profanos que tiveram seu ingresso na Ordem recusado, por motivos transitórios, e o segundo onde anotam-se os nomes dos profanos que foram recusados por motivos de ordem moral ou algum outro mote insanável.
O Arq.’. controla o material de expediente; em Livro de Carga inventário das alfaias, móveis e utensílios do T.’.zelando por sua conservação.

SETOR FINANCEIRO

Todo o trânsito de metais na Loja é controlado pelos Oficiais dessa célula.

Atuantes

Tes.’.
Hospit.’.
Ao Tes.’.cabe elaborar balanços e balancetes, arrecadar as taxas devidas pelos OObr.’. pagar despesas, desde que autorizadas pelo Venerável. O Ir.’.Hospit.’. vela para que os metais arrecadados pelo Tronc.’.de Benef.’. sejam utilizados de acordo com as normas maçônicas.

SETOR SOCIAL

A área Social tem ingerência tanto sobre as relações internas da Loja – frequência, participação, evolução maçônica dos OObr.’.- como as relações externas da Loja, suas coirmãs, e com a comunidade onde se insere.

Atuantes

Chanc.’.
Hospit.’.
M.’.de Banq.’.
O Ir.’.Chanc.’.mantém o fichário de OObr.’. contendo datas as mais gratas aos IIr.’. inclusive de seus parentes mais chegados; programa visitas a Lojas coirmãs e de outras Obediências; incentiva o congraçamento feminino, promovendo a união de mães, esposas, filhas, etc. dos IIr.’.do quadro; atualiza o Quadro de IIr.’. da Loja para repassar a cada Sessão, ao Ir.’. Hosp.’. os nomes dos IIr.’. faltosos.
O Irm.’. Hospit.’. deverá ser um Ir.’. que goze da simpatia de todos os outros OObr.’.. Isso porque o trabalho do Hospit.’.dentro do T.’. é relativamente fácil, pois ali cabe-lhe fazer girar o Tronc.’. de Benf.’.. A sua missão, fora do T.’., é muito preciosa , pois deve agir como se fosse um parente chegado de cada Obr.’. visitando periodicamente lares e tomando conhecimento de seus problemas, de saúde, conjugais ou financeiros.
Ao Hospit.’. cabe levar ao Ven.’.M.’. os problemas dos demais IIr.’. para que juntos possam definir uma solução.
Em caso de falecimento de um Ir.’. do Quadro cabe ao Hospit.’. comunicar o desenlace a todas as outras Lojas de seu Oriente, assinando as PPranc.’. com o Ven.’. M.’. e o Ir.’. Sec.’. com o Irm.’. Tes.’. cabe-lhe velar para que os metais arrecadados pelo Tronc.’. de Benef.’. sejam utilizados de acordo com as normas maçônicas.
O Ir.’.M.’. de Banq.’. tem a seu cargo a logística da preparação de Banquetes e Festas, ritualísticas ou não.

SETOR CULTURAL

Cultura maçônica não é passatempo nem exibicionismo. É obrigação!
É comum que livros, revistas, jornais, boletins, discos, fitas, e outras peças que possam trazer mais conhecimento maçônico, passem à guarda pessoal do Venerável da Loja ou de seu Secretário. Isso é intolerável porque todo esse material é destinado à Loja e não a um de seus Membros.

Atuantes

Orad.’., M.’. de Harm.’. , Bibliotec.’., Orad.’.
Manutenção de fichário atualizado de palestrantes de outras Lojas.
M.’. de Harm.’. mantém o controle, por meio de Livro de Carga, de discos, fitas e aparelhos reprodutores destinados a abrilhantar as Sessões e Banquetes.
Bibliotec.’. Guarda acervo literário da Loja. Na falta de Bibliotec.’. o acervo literário da Loja deve ser controlado pelo Irm.’. Orad.’. e posto à disposição dos OObr.’. da Loja.

SETOR LITÚRGICO

Os cargos agrupados nesse setor são de primordial importância para a Loja e já foram gastos rios de tinta em livros tratando deles. Como estamos tratando de estrutura administrativa a abordagem desses cargos será “en passant”, nunca, no entanto, olvidando-se o seu imenso valor e fenomenal conteúdo maçônico.

Atuantes

Orad.’., M.’. Cer.’., DDiac.’., EExp.’., CCob.’.
O Ir.’. Orad.’. é o Guarda da Lei e como tal obra por cumprir e fazer cumprir os deveres maçônicos. Quanto ao M.’. Cer.’. para ilustrar sua importância, basta transcrevermos o Ir.’. Castellani: “Nota-se … que o M.’.Cer.’. é um Oficial importantíssimo, devendo ser um perfeito conhecedor da Ritualística. Ele é tão importante que tem o direito de, estando Entre Colunas, pedir a Palavra diretamente ao Ven.’.M.’. através de uma simples pancada com as palmas das mãos.”
Há ainda os DDiac.’., que transmitem as ordens em Loja, o 1º Diac.’. levando a palavra do Ven.’.M.’. ao 1º Vig.’. e o 2º Diac.’., do 1º Vig.’. ao 2º Vig.’. às CCl.’. Os Ir.’. responsáveis pelo acompanhamento dos iniciados em suas viagens templárias.
Embora seja do conhecimento de poucos, é o Ir.’.1º Exp.’. que arbitra os conflitos maçônicos entre o Ven.’.M.’. e seus VVig.’.. A célula abriga também os CCob.’. , nossos guardiões do T.’., interna e externamente de espada em punho guardando nosso Sagrado Local, de impertinentes e curiosos.
As ações litúrgicas especiais pedem também presença dos Porta-Estandartes e Porta-Bandeiras. Já o Porta-Espada exerce seus deveres nas Sessões Magnas de Iniciação, Elevação e Exaltação. É bom lembrar que o cargo de Porta-Espada não existe nos Ritos Brasileiros, Francês (ou Moderno), de York e Schroeder. É utilizado nos Ritos, Escocês Antigo e Aceito, e Adonhiramita.
E, assim findamos nossa exposição de uma estrutura administrativa em Loja. Para que não pairem dúvidas confessamos nossa mais absoluta fé na ortodoxia dos cânones maçônicos. Esse trabalho sugere tão somente que há reais possibilidades de se aliar ao formalismo dos regulamentos e rituais, a flexibilidade de técnicas modernas de administração.
Tudo para promover o crescimento intelectual, aperfeiçoar o perfil moral e promover o insumo social na Augusta e Respeitável Loja a que pertencemos.
Enviado pelo Ir.’. Moisés Ramos Pimentel M.’.M.’. ARLS Vigilância e Justiça 2132 • GOB/CE • Fortaleza • CE

 Grupo Maçônico Orvalho do Hermon


O






 


sábado, 1 de setembro de 2012

0 MESTRE INTERIOR – NO TEMPLO

A porta do Templo é um símbolo de acesso ao interior, onde está oculta a verdade e outros tesouros. Quando solicitamos a entrada no Templo interior, somos questionados “Quem é o temerário que ousa interromper as nossas meditações”, e o nosso guia interior responde que é um candidato que não é escravo das paixões e desejos e que não é de maus costumes, pois, no Templo da verdade e da sabedoria, não entra quem é preconceituoso e possui péssimos costumes. Caso não tenhamos o desejo sincero de buscar a verdade, poderemos ser impedidos pela espada do guardião, que impede a entrada de curiosos temerários, invasores profanos e dos mercadores do santuário. Fazemos uma oração para solicitar o auxílio nos momentos de perigo, durante o trajeto na senda. Sabemos que o vício nos arrasta para o mal e que devemos ter disposição na alma para a prática do bem. As coisas boas da vida, a doçura, podem se transformar de uma hora para outra em amargor, em decepções, e temos que estar preparados para isso, Cristo passou por dores e momentos insuportáveis, os momentos difíceis nos deixam vulneráveis. Ao curioso que pensa somente em adquirir poderes, estabilidade financeira com riquezas e auxílios mútuos, e se esquecem do desenvolvimento espiritual, sentem a desilusão, porque, os espera um cálice de amargura, que ao ser apresentado a Cristo, este exclamou: “Pai, se é possível, afasta de mim este cálice”. O verdadeiro postulante, consegue absorver a mudança das doçuras da vida em amargor, e tem fé que o amargor se transforme novamente em doçura pela conhecimento da verdade. Temos que percorrer um caminho difícil e tortuoso, os obstáculos e a instabilidade do tempo (ar), com chuvas e trovoadas, e nessa viagem, começamos o trajeto na realidade exterior (ocidente), e passamos pela noite escura do norte utilizando apenas a visão intelectual, caminhamos com dificuldade, até podermos chegar ao lugar de luz (oriente), após conseguirmos a iluminação da consciência, não poderemos ficar parados neste local, não podemos guardar a luz, temos que levá-la aos que ainda se encontram no mundo material sem luz (ocidente). Temos que ter ciência que representamos o símbolo da sociedade, onde a inteligência de um pequeno grupo conduz as massas ignorantes que não podem se governar. O processo de busca da luz é contínuo, quando estivermos mais esclarecidos poderemos percorrer um caminho mais plano, ainda poderemos ouvir o som dos combates da vida, tinir de espadas, mas, ao final deste caminho, o nosso guia nos leva a uma fonte de água para purificarmos a alma. Novamente temos a demonstração da solidariedade humana. Então, seguimos por um caminho livre de obstáculos, podemos ouvir o crepitar das chamas durante este trajeto e sentimos o calor do fogo, que, além de purificador é o símbolo da descida do Espírito sobre a matéria. Estaremos aptos a nos submeter à terrível prova do batismo do heroísmo, do mártir, oferecemos o nosso fluido vital (sangue). Então, poderemos receber o selo da fé e da caridade em nosso peito. Devemos procurar auxiliar e socorrer os necessitados, os miseráveis e deserdados da fortuna, não podemos ser vaidosos e fazer doações com orgulho, humilhando a quem recebe as nossas dádivas, sentimos a angústia em nosso coração diante da impossibilidade de socorrer os miseráveis e necessitados. Com a prática da caridade, juramos fidelidade ao dever, e retiramos a venda material que nos cobria os olhos, podemos finalmente ver a luz. Somos consagrados e nos tornamos justos e perfeitos. Nascemos de novo, cumprimos o que disse o Divino Mestre Jesus: “O REINO DE DEUS ESTÁ DENTRO DE VÓS” Pedro Neves .’. M.’. I.’. 33.’. Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons. Você pode copiar, distribuir, exibir, executar, desde que seja dado crédito ao autor original ("você deve citar a autoria de Pedro Neves e o e-mail, neves.pedro@gmail.com). Você não pode fazer uso comercial desta obra. Você não pode criar obras derivadas.

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

DEZ CONDUTAS MAÇÔNICAS

"Dez condutas maçônicas que, certamente, contribuem positivamente e protegem a nossa ordem das ações e das influências dos infiltrados.

1) Sirva à instituição e não à pessoas;

2) Quando for divergir, seja de idéias, propostas e condutas, mantenha-se imparcial e com honestidade, deixando de lado simpatias ou antipatias pessoais;

3) Chame sempre para você a responsabilidade de proteger e defender a instituição, não esquecendo que os nossos maiores inimigos, infelizmente, vestem avental;

4) Não se venda por medalhas, títulos, cargos, alfaias e elogios;

5) Quando for indicar um candidato, não seja um corretor de avental;

6) Seja parceiro fiel e leal da verdade e da justiça, assumindo a inteira responsabilidade do que falar, escrever ou fazer;

7) Nunca se esqueça que os exemplos falam mais do que palavras e que os Aprendizes, Companheiros e Mestres mais novos precisam de referências;

8) Não seja Maçom oportunista ou inconsequente, pois baixaria, truculência e contestação infundada e mentirosa não são compatíveis com as nossas virtudes e princípios, maculando os Templos Maçônicos;

9) Não olhe para um Irmão como se fosse seu superior hierárquico, porém respeite as autoridades maçônicas legalmente constituídas, bem como, se for necessário, exija delas, usando os caminhos e meios legais maçônicos, que desempenhem os seus cargos com dignidade, probidade, humildade e competência, pois não estarão fazendo mais do que sua obrigação;

10) Seja um obreiro útil, humilde, dedicado, competente, de atitude e instruído nos augustos mistérios da Arte Real, pois, caso contrário, poderá ser manipulado e inconscientemente prestar serviços para aqueles pseudo maçons que representam a anti-maçonaria.

Conclusão Por entender que a conclusão tem caráter pessoal, convido os Irmãos leitores para que sejam co-autores deste artigo, pois, na Maçonaria, entre outras coisas, vim submeter minha vontade.

Fundado em 31 de maio de 2006 - ANO VI
Rio de Janeiro - RJ - Brasil

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

A BELEZA DE NOSSA LOJA!


Ir. Valdemar Sansão - MI São Paulo SP.

O bom Venerável não pensa em reeleição. Prepara uma Loja melhor para seu substituto! A beleza de nossa Loja não é dizer que tem um Deus que zela por ela, é sim dizer que ela tem um grande Deus. A beleza de nossa Loja não está só em nós, seus obreiros, trabalharmos para a construção da Sociedade Humana, mas se quisermos realmente mudar o mundo, comecemos por mudar uma pequena parcela dele: esta parcela que chamamos de “Eu”, ou seja, começar por nós mesmos. E ainda que a nossa pretensão não seja essa, mas tão somente a de manter a paz e a serenidade em nossos corações, o caminho é o mesmo: procurar tais recursos dentro de nós. Se pensássemos menos em disputas e mais em compartilhar, viveríamos em um mundo bem melhor, construído por nós mesmos. Nós não precisamos de muita coisa, só precisamos uns dos outros, pois somos a soma das nossas decisões. Consideremos o que nos ensinou Charles Chaplin: “cuidado com as palavras pronunciadas em discussões e brigas, que revelem sentimentos e pensamentos que na realidade você não sente e não pensa… Pois minutos depois, quando a raiva passar, você delas não se lembrará mais… Porém, aquele a quem tais palavras foram dirigidas, jamais as esquecerá” As palavras nunca ofendem, o que ofende é o tom com que elas são ditas. As pessoas esquecerão do que foi dito, esquecerão do que foi feito, mas nunca esquecerão do que sentiram. Sejam quais forem as suas raivas contra um Irmão, ao invés de esmerar-se em criticá-lo, farejando defeitos, apedrejando-o, rasgando sua reputação, continue a vê-lo e amá-lo. Aprendamos com as cordas do violão, que são independentes, mas cada uma fazendo a sua parte, juntas constroem as mais belas melodias. Os Irmãos se completam não por serem metades, mas por serem pessoas inteiras, dispostas a dividir objetivos comuns, alegrias e vida! Por isso nunca nos dispersemos. A beleza de nossa Loja está na maturidade de cada Irmão falar “eu errei”. E ter a ousadia para dizer: “perdoe-me”. E ter sensibilidade para expressar “eu preciso de você”. E ter a capacidade de dizer: “eu o amo meu Irmão”. A beleza de nossa Loja não está na fachada de seu templo, nem no esplendor de seu interior, nem em sua ornamentação, ou na grandeza de sua Sala dos PP\PP\, nem mesmo em seu espaçoso Átrio. A beleza de nossa Loja não está no seu quadro de obreiros cultos, pois nem sempre um homem culto é um homem sábio. Cultura são conhecimentos adquiridos. Sabedoria são as experiências vividas. Mesmo poucos ou muitos, ricos, grandes ou sábios, o importante é que sejamos honrados, estejamos sempre unidos, um ao lado do outro, apesar das diferenças, os obstáculos sempre foram transpostos, tanto nos momentos de dificuldade como nos momentos de esforço maior. A beleza de nossa Loja se realiza quando os Irmãos mais idosos, mesmo não tendo mais a força da juventude, oferecem sua simpatia à dor e seus ombros para apoiar a cabeça de um Irmão quando ele chora. Todos precisam de um ombro para chorar em algum momento da vida. Com os anos não se fica mais culto ou mais sábio: fica-se mais simples. E na simplicidade são obtidas sínteses significantes da visão do mundo. A sabedoria não está no que pensamos saber e sim naquilo que ainda não sabemos. Existirá sempre algo para aprendermos. Somos Aprendizes, alunos em formação. A beleza de nossa Loja não está em não poder realizar grandes coisas, está apenas em fazer dia a dia, pequenas coisas com um grande amor, gestos de compreensão, solidariedade, respeito, ternura, fraternidade, benevolência, indulgência e perdão. Cada Irmão põe quanto é no mínimo que faz, porque assim a Loja brilha acima de cada um. O todo é maior que a soma das partes. A maior beleza do Aprendiz de nossa Loja, não está só nas Instruções do Ritual que os tornam infinitamente melhores, mas no caminho que percorre e nos momentos que compartilha com os verdadeiros Irmãos, nos ingredientes que vão além da amizade, na confiança, na alegria de “estar junto”, no respeito, na admiração, na tranquilidade. Para que o desabrochar da dignidade de cada um possa tornar-se uma realidade viva e completa, “antes de jurar silêncio sobre tudo quanto se passou”, se houver alguma coisa para enterrar (esquecer) sejam as palavras ásperas que disse, os gestos solidários que não fez, os preconceitos que externou, porque, ao julgar os outros, colocamos em nossas críticas o amargor de nossos próprios fracassos. Em nossas necessidades, sempre seguimos as três abençoadas regras: “Corrigir em nós o que nos desagrada nos outros; Amparar-nos mutuamente; Amar-nos uns aos outros. Agradeço a Deus, ter me concedido a alegria de ao ter deixado meu veneralato e ter sido promovido a obreiro comum, falar mais uma vez dos laços que nos unem, porque não é sem razão que nos encontramos, nos reunimos e irmanados no mesmo trabalho e ideal, fundamos nossa Loja. E como um círculo, não tem começo e fim. Reitero, aqui, meu agradecimento comovido e sincero a todos. Vale a pena trabalhar para um fim, quando não se está só. E quando lá fora o mundo se prepara para as lutas mais dolorosas e mais rudes devemos agradecer ao Grande Arquiteto do Universo a felicidade de nos conservarmos em paz em nossa Oficina, sob a égide do Seu divino amor. Permita-nos SENHOR continuarmos por Vós guiados e abençoados, conservando a tranqüilidade sagrada em nossos lares e corações e que também cubra de bênçãos, de vida abundante, feliz, repleta de Luz, Beleza, Bondade e Amor, toda a Humanidade. Assim, esperamos em Sua infinita misericórdia, criar um mundo sem exploração do homem pelo homem, sem as contundentes diferenças de classes sociais e de compreensão, bondade, paz, harmonia, belezas e de amor com que tanto sonhamos.
Fundado em 31 de maio de 2006 - ANO VII
Rio de Janeiro - RJ - Brasil

terça-feira, 14 de agosto de 2012

MAÇONARIA: A ESCOLHA DO VENERÁVEL MESTRE


 Escrito por Jeronimo Borges

O que caracteriza um estudo sério é a continuidade com que é encaminhado. O estudo de Maçonaria, é todo um novo mundo que se descortina diante de nossos olhos, subitamente nos lança numa ordem de coisas novas e grandiosas, só pode ser feito de maneira proveitosa por homens perseverantes, isentos de idéias preconcebidas e impulsionados por um firme e sincero propósito de alcançar um resultado sério, onde reine uma perfeita comunhão de pensamentos ao amor ao Grande Arquiteto do Universo (Deus) e de sentimentos voltados à prática do bem. Mas ela faz mais: mostra os efeitos inevitáveis do mal e, por conseqüência, a necessidade do bem. Se desejarmos coisas sérias, sejamos nós mesmos sérios. Eleições - Entendemos que a Maçonaria tem por norma a prática da democracia que outra coisa não é senão o consenso da maioria. Votar é, ao mesmo tempo, um direito e um dever do Maçom: votar nos que pretendem ser os seus dirigentes; votar na idéia que eles representam, e não em suas figuras pessoais; votar na coerência pelo que achamos certo, votar nos que pretendem bem representar a Loja. Só através do voto é que pode o Obreiro, escolher o melhor caminho de sua Loja e de dar aos preparados a incumbência de dirigi-la. Os cargos eletivos na Grande Loja e nas Lojas serão preenchidos por eleição em escrutínio secreto, no grau de Mestre, em uma única Sessão, não podendo ser adiada, suspensa ou prorrogada, a não ser por ausência da metade ou mais dos eleitos constantes na lista de votantes. No caso de adiamento, suspensão ou prorrogação, a votação deverá ocorrer dentro dos próximos oito dias, atendendo o mesmo “quorum”. O direito de voto será exercido pessoalmente. É requisito para votar e ser votado ter 50% (cinquenta por cento) de frequência em sua Loja, nos 12 (doze) meses que antecederem a eleição, excluídas as duas últimas Sessões, estar em pleno gozo de direitos e prerrogativas. É vedado concorrer a mais de um cargo administrativo na mesma chapa.Para o cargo de Venerável Mestre, ou de Vigilantes, exige-se ser mestre ativo da própria Loja há mais de 3 (três) anos, contados a partir da data do placet de exaltação ou de filiação, até a data designada para a eleição; ter 75% (setenta e cinco por cento) de frequência nos 12 (doze) meses que antecederem a eleição, excluídas as duas últimas Sessões e estar em pleno gozo de direitos e prerrogativas. Para os demais cargos, 50% (cinquenta por cento) de frequência, sob as mesmas condições. Constitui requisito de elegibilidade para os cargos de Venerável, Vigilantes, Orador e Tesoureiro, ser Mestre ativo na própria Loja há mais de (três) anos, contados a partir da data do placet de exaltação ou de filiação, até a data designada para a eleição. A Loja que possui o Quadro de Ex-Veneráveis, esse Colégio indicará os futuros candidatos.Na eleição somente votam os Mestres, e a votação é majoritária e realizada por escrutínio secreto, elaborada uma chapa prévia que é submetida à Loja; podem concorrer quantas chapas forem organizadas, mas via de regra, apresentam-se apenas duas, sendo uma da situação, ou seja, indicada pelo Colégio dos ExVeneráveis e outra da oposição, elaborada por um grupo de Mestres. (Louvado na CONSTITUIÇÃO E REGULAMENTO GERAL DA GLESP). O Venerável Mestre – Muitos Irmãos intimamente aspiram ao cargo de Venerável Mestre e, na sua grande maioria, inconscientes das responsabilidades que o mesmo envolve. Repassamos alguns lembretes indispensáveis ao bom desempenho das funções. O Venerável Mestre é a primeira Luz, o primeiro Oficial e o Presidente da Loja. Ele não tem qualquer poder, ele é o resultado da vontade dos Irmãos. O Venerável, embora sendo o resultado da vontade dos demais Irmãos, é o responsável pela atividade ou inatividade; pelo brilho ou mediocridade; pela participação ou inércia; pela cooperação ou indiferença; pela união ou desunião; pela igualdade ou complexos; pelo entusiasmo ou falta de interesse; pela humildade ou prepotência dos Irmãos, pelo ambiente de harmonia ou choque, enfim, pelo êxito ou fracasso de sua Loja. Para alcançar tais objetivos, o Venerável Mestre deve compenetrar-se pela própria relevância do cargo, que a dignidade, a decência e a lisura moral constituem predicados, inapelavelmente exigidos para uma gestão tranquila e produtiva. O Venerável Mestre deve ser o orientador, pois, Faz-se necessário que o Venerável Mestre tenha exercido alguns cargos precedentes, como o de Orador, de Vigilantes ou de Secretário, adquirindo, assim, passo a passo, a experiência suficiente para desempenhar sua gestão. A escolha para Venerável é relevante que caia em Irmão esclarecido, conhecedor da Arte Real e que tenha franquia entre os Irmãos, pessoa estimada e que seja, ao mesmo tempo, propenso a ser um líder. Requisitos - Os requisitos essenciais para o seu bom desempenho são múltiplos. Consoante a tradição o Venerável Mestre deve cumprir os seguintes deveres: 1º.) Sentir-se Maçom, de preferência a qualquer outra formação doutrinária; 2º.) Pregar a Verdade, atuar com equidade, ser discreto, justo, e pensar com retidão; 3º.) Deve participar, ser entusiasmado e incentivador, e por esses exemplos envolver os demais Irmãos para que não pensem que só os administradores têm obrigações de trabalhar; 4º.) Ser disciplinado, tolerante e apaziguador, ético e digno, pois, caso contrário, não poderá exigir essas virtudes de seus Irmãos; 5º.) Não ser invejoso, dominado por paixão, rancoroso e intrigante; 6º.) Ser estudioso e meticuloso; 7º.) Ser planejador, pois, se uma boa programação não for bem elaborada, os Irmãos de sua Loja tornar-se-ão indiferentes, dispostos a criticar e nunca apresentar soluções; 8º.) Ser humilde e inteligente; 9º.) Nas eleições ter o comportamento de Magistrado; 10º.) Não pleitear cargos ou posições dos Escalões Superiores; 11º.) Obedecer os Landmarks, cumprir e fazer cumprir os Estatutos, Regulamentos e Constituições, a Legislação da Grande Loja (GLESP), a Ritualística adotada pela Loja. 12º.) Zelar pela observância dos bons princípios, perfeita harmonia e Fraternidade. 13º.) Reunir o que está disperso. Conclusão - Todos são chamados a atuarem corajosos e sinceramente, dando de si próprios o melhor. Os fracos, os licenciosos, os levianos, nada poderão fazer de útil e verdadeiro; o maçom nasceu para fazer o bem e lutar contra o mal, para isso lhe foi dada a grandeza da alma, objetivando uma expressão mais alta da vida. Durante muito tempo, os homens se distanciaram uns dos outros e a Maçonaria é o laço que um dia unirá os homens, porque lhes mostrará onde está a verdade e onde está o erro. Mas muitos ainda assim, a negarão. Julgue-a por suas obras e seus princípios. A Maçonaria nunca instigou ao mal; nunca aconselhou nem legitimou o erro e a violência, tampouco a avidez de bens terrenos. Somente os que são humildes, bons, humanitários e são seus preferidos, pois trilham o caminho que esta lhes mostrou para chegar até ela. No seu aspecto científico e filosófico, a Maçonaria será sempre um campo nobre de investigações humanas, como outros movimentos coletivos de natureza intelectual, que visam ao aperfeiçoamento da humanidade. Todavia, estabelece a renovação definitiva do homem, para a grandeza de seu imenso futuro, começando pela ESCOLHA DO VENERÁVEL MESTRE. “Todas as máximas já foram escritas, falta apenas aplicá-as” (Pascal)

Fundado em 31 de maio de 2006 - ANO VII
Rio de Janeiro – RJ – Brasil

FORMAÇÃO DE VENERÁVEIS MESTRES:


Os Veneráveis Mestres constituem um corpo especial de dirigentes responsáveis pelas Oficinas maçônicas – são, na expressão mais sagrada do termo, autênticos “ guias da Fraternidade” e como tais precisam estar altamente preparados para exercer com competência e dignidade essa sagrada função. Na qualidade de líder, o venerável deveria dominar (ou pelo ser instruído) alguns aspectos do saber humano. Condutores de homens precisam compreender o comportamento humano (Psicologia), raciocinar corretamente (Lógica), expressar-se bem e com eloqüência (Retórica) e como vivem num contexto social é imprescindível compreender os fatos sociais (Sociologia). O domínio mesmo que relativo desses ramos do saber, constituirá numa ajuda considerável para a devida formação de construtores sociais. Além disso, ele precisará possuir uma compreensão profunda da Tradição Maçônica em seus múltiplos aspectos. Não podemos nos iludir quanto à elaboração de um curriculum de altíssimo nível para a formação de dirigentes maçônicos (formadores de opinião, construtores sociais, estadistas e condutores anônimos da sociedade). Reunir mestres maçons para ensinar o obvio sobre a maçonaria, como segurar no malhete, como preencher propostas e outras coisas dessa natureza é uma insensatez. Não podemos nos esquecer que a maçonaria é inspirada e movida pelo Arquétipo da Sabedoria e que os maiores estadistas, chefes revolucionários e grandes lideres mundiais foram preparados nos Templos da Ordem. Lembremo-nos que o pragmatismo do mundo moderno não permite mais a perda de tempo com questões simplórias e triviais. Muito pelo contrário, ele exige que mergulhemos no coração do conhecimento.


Fundado em 31 de maio de 2006 - ANO VI
Rio de Janeiro – RJ – Brasil

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

EX-VENERÁVEL DONO DA LOJA


* Irmão Hercule Spoladore

É uma situação que ocorre com frequência na Maçonaria brasileira e quiçá na mundial. O que vem a ser esta situação? Simplesmente, conforme o titulo do trabalho já sugere, é um Irmão que exerceu sua gestão como venerável de uma loja e que seu desempenho pode ter sido muito bom ou muito mau, mas seu mandato se esgotou, e ele esquecendo que já passou o seu momento como principal gestor da loja e que deveria ficar quieto no seu canto, insiste em se intrometer nos trabalhos da nova liderança que democraticamente surgiu na sua loja através do voto. Apegado ao poder, chega aos limites da hipocrisia que como se sabe é o ato de fingir qualidades, ideias ou sentimentos que em realidade ele não tem e isso às vezes se torna uma verdade para ele ainda que falsa, um verdadeiro sofisma, e ele acreditando ser o que sabe tudo, que sabe mais que os outros, em fim é o dono da verdade. Ele não sabe se conter, não consegue ficar sem dar palpites, ou dar ordens ao novo venerável, ou criticar o novo líder, não somando as suas forças com as da nova gestão, pelo contrário, atrapalhando-a. Se o novo venerável não for um líder pragmático, pulso forte, que não saiba se impor, ficará a mercê do antecessor, não podendo exercer a sua gestão a contento como planejou. Todavia, numa loja democrática, não faltarão Irmãos que com coerência e bom senso, tomarão partido do novo líder e os mais habilidosos, chegam ao ex e com muito jeito, com parcimônia tentam faze-lo compreender a nova situação, o que às vezes não conseguem havendo até em certos casos uma cisão na loja. Muitas novas lojas foram fundadas por ex-veneráveis que não souberam respeitar a nova liderança. Este é um fato inconteste. Este apego ao poder é algo que o ex-venerável às vezes não pode se controlar, porque ele não estava preparado quando exerceu seu mandato para um dia deixa-lo como soe acontecer nos regimes democráticos e uma loja maçônica não tem dono justamente por ser uma democracia. Ele se achou venerável, e não entendeu que apenas estava venerável. Acha que continua venerável. Este tema abre um leque mais profundo em relação a analise do poder nas lojas e como ele é manipulado. Este tipo de dono da loja não é o pior entrave para uma loja. O pior ex-venerável é aquele tipo de irmão matreiro, político, de fala mansa, que sorri para todo mundo, abraça a todos três vezes e que se derrete em falsos elogios aos Irmãos do quadro e procede assim porque é uma das suas estratégias para se manter no poder eternamente. Ele se vale de bonecos ou títeres para cobrir uma gestão que por imposições das constituições das potências ele não pode se reeleger mais de uma ou duas vezes. Em seguida ele volta gloriosamente na próxima. Mas durante a gestão de seu preposto, quem dirigirá a loja de fato, será ele. Não de direito, mas de fato. Ele tomará todas as decisões e o venerável de plantão cumprirá rigorosamente o que o seu chefe determinar. Geralmente ele tem o seu grupo, formado por comparsas que são coniventes que antecipadamente já decidiu quem será o venerável para os próximos seis ou oito anos, mas sempre ele voltando após as gestões de seus substitutos arranjados ou então apenas preferirá ser o chefe por trás, nos bastidores, mandando em tudo e por muito tempo. No fundo a sede de poder, nada mais que uma autoafirmação, insegurança, incapacidade de ser transparente com seus semelhantes e com o meio em que vive vaidoso mentiroso geralmente tendo uma visão unilateral dos processos de interação entres os Irmãos, tornando sua personalidade a de um verdadeiro psicopata social. Não sabe mais discernir os seus limites. Não tem sentimentos. Chega a ser uma doença um desvio de personalidade, e de comportamento. Isto não é bazofia ou piada. Isto realmente acontece na Maçonaria brasileira num índice maior do que se pode imaginar, mas não como rotina. Infelizmente esta situação vem ocorrendo e muitos irmãos fingem não vê-la ou sentila, porque os membros das lojas com exceção de verdadeiros maçons agem passivamente como cordeiros, esquecendo que uma loja aberta em sessão é uma tribuna livre onde ideias são criadas, sonhos são idealizados que podem mover o mundo, um verdadeiro laboratório social que pode mudar tudo para melhor e por isso todos os problemas devem ser discutidos e todos devem participar. Uma situação esdrúxula aconteceu em uma loja que será omitido o nome da cidade, onde isso ocorreu. Um Irmão destes tipos de donos da sua loja, fez a sua loja votar o título de “venerável perpétuo” para ele. Até aí, nada de mais, a loja votou, está votado. Mas ele exigia que a loja só abrisse os trabalhos em suas sessões normais quando ele estivesse presente. E ele atrasava sempre cerca cinco a dez minutos. E aí a sessão começava. Isso é o cúmulo da hipocrisia, tanto deste sociopata ex-venerável como da loja que aceitava tal situação. Pasmem! Parece uma estória inventada, mas não é. Isto é verídico! Mas é bom que se frise que a maioria dos ex-veneráveis não se enquadram nesta descrição. Existem ainda muitos bons maçons na Ordem. Felizmente a maioria. São. Irmãos excelentes, preparados, humildes, sabem qual é o seu lugar dentro de uma loja, bons conselheiros, conhecem o peso de um malhete, porque já o manejaram quando foram veneráveis. Aprenderam mais ouvir que falar. A Maçonaria valoriza a Dialética, que é a arte do dialogo, ou a discussão, como força de argumentação permite que se contrariem ideias, que elas sejam discutidas em todos os sentidos e que dessa situação nasça um idéia concreta, inteligente e perfeita, uma verdadeira síntese de tudo o que foi tratado, desde que venha em favor da Ordem e da humanidade. Ela prega a igualdade e a liberdade de pensamento entre seus adeptos. Esta situação de dono de loja é uma das causas maiores do afastamento de muitos honrados irmãos da Ordem. Se um irmão, sem medo, com coragem falar em nome da democracia e dos verdadeiros princípios da Ordem, e isto ferir os desígnios destes déspotas, este será marcado, perseguido e descriminado. Considerando-se que temos cerca de seis ou sete mil lojas no Brasil, imagine-se o número de Irmãos que agem desta forma, considerando-se que a natureza humana é complexa e estranha, que muitos homens possuem a síndrome do poder em função de seu DNA animalesco onde um quer ser o dominante sobre o outro, ou sobre os outros. Geralmente estas pessoas são inseguras, não são felizes, não estão de bem com a vida e esta forma de querer exercer um suposto poder sobre os outros é sua maneira de tentar equilibrar seus próprios defeitos. A síndrome do poder também chamada de síndrome do pequeno poder é uma atitude de autoritarismo por parte de um individuo que recebeu um poder e tenta usa-lo de forma absoluta e imperativa sem se preocupar com os problemas dicotomizados que possam vir a ocasionar. A síndrome do pequeno poder pode se tornar uma patologia, quando se torna crônica. Existem aqueles Irmãos que mesmo longe do poder pensam que o possui. Quando a realidade lhe é mostrada, entram em depressão. Mas a Maçonaria prega justamente o contrário. Ela é democrática. Quando se fala em vencer as paixões significa que o maçom deve fazer prevalecer em seu consciente racional sobre as programações erradas de seu subconsciente, ou seja, sobre a parte ruim que o ser humano tem dentro de si. Segundo São Francisco de Assis, é o “burro” ou a “besta” que o ser humano carrega dentro de sua consciência. Uma das condições mais exigidas pelos princípios maçônicos é justamente você fazer prevalecer seu lado bom, vencendo o seu lado mau. A condição para um irmão ser venerável em primeiro lugar é que ele tenha merecimentos pessoais e que tenha um conhecimento profundo da ciência maçônica em todos os seus segmentos, tais como história da Ordem, ritualística, simbologia, administração, legislação e justiça sendo tudo isso associado à sua capacidade de liderança. Evidentemente a Maçonaria terá que renovar seus líderes, para que novas ideias, novos postulados, novos rumos e até novos paradigmas sejam estudados, adotados e postos em ação. Todavia correrá o famoso risco: VOCÊ QUER CONHECER UM MAÇOM? DÊ-LHE PODER. Por fim, enfatiza-se que este trabalho foi escrito para uma minoria de Irmãos, que são gananciosos do poder. Ressalve-se aqueles Irmãos ex-veneráveis pessoas intocáveis que não se enquadram neste contexto. Felizmente, a maioria. Estes são os sustentáculos da Ordem. * Hercule Spoladore -Loja de Pesquisas Maçônica.

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