sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

A MÔNADA


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C. W. Leadbeater Publicado originalmente emThe Theosophist, 1913

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A informação dada na literatura Teosófica sobre o tema da Mônada é necessariamente escassa. Não estamos presentemente em posição de suplementá-la em grande extensão; mas uma referência ao assunto, até onde ele é compreendido hoje em dia entre nós, pode poupar o estudante de alguns mal-entendidos, tais como os que são com freqüência manifestos nas questões que nos são enviadas.
Que muitos mal-entendidos devam existir em tal assunto é algo inevitável, porque estamos tentando entender com o cérebro físico o que não pode de nenhum modo ser expresso em termos inteligíveis a este cérebro. A Mônada habita o segundo plano de nosso conjunto de planos – aquele que costumamos às vezes chamar de paranirvânico ou anupadaka. Não é fácil associar na mente qualquer significado definitivo ao termo plano ou mundo em uma altitude como esta, porque qualquer tentativa mesmo para simbolizar a relação dos planos e mundos entre si demanda um estupendo esforço de imaginação em uma direção em que estamos completamente desfamiliarizados.
Tentemos imaginar o que a consciência do Divino deva ser – a consciência da Deidade Solar completamente fora de quaisquer mundos ou planos ou níveis que jamais possamos conceber. Nós podemos apenas pensar vagamente em algum tipo de Consciência transcendente para a qual o espaço já não existe, para a qual todas as coisas (pelo menos no Sistema Solar) estão simultaneamente presentes, não só em sua condição atual, mas em cada estágio de sua evolução desde o início até o final. Devemos pensar nessa Consciência como criando para Seu uso estes mundos a partir de vários tipos de matéria, e então devemos pensar nessa Consciência Divina voluntariamente velando a Si mesma dentro desta matéria, e portanto limitando-Se enormemente. Ao tomar sobre Si mesma uma vestimenta da matéria seja do mais elevado destes mundos, Ela obviamente já terá imposto sobre Si mesma uma certa limitação; e, igualmente claro, cada vestimenta adicional que é tomada ao envolver-Se mais e mais profundamente na matéria, deve aumentar a limitação.
Um modo de tentar simbolizar que tem-se revelado útil é tentarmos pensar nela em conexão com o que chamamos de dimensões do espaço. Se pudermos supor um número infinito destas dimensões, pode ser sugerido que cada descida de um nível superior para um nível inferior remove da consciência uma destas dimensões, até que, quando alcançamos o plano ou mundo mental, terá restado para nós apenas o poder de observar cinco delas. A descida ao plano astral retira mais uma, e a ulterior descida ao nível físico nos deixa com as três a que estamos acostumados. A fim de captarmos ao menos uma idéia do que representa essa perda de dimensões adicionais, temos de supor a existência de uma criatura cujos sentidos sejam capazes de compreender apenas duas dimensões, então imaginar no que a consciência desta criatura diferiria da nossa, e assim tentarmos ter uma idéia do que significaria perder uma dimensão de nossa consciência. Tal exercício de imaginação rapidamente nos convencerá de que a criatura bidimensional jamais poderia obter uma adequada compreensão de nossa vida; ela poderia ser consciente dela apenas em partes, e sua idéia mesmo destas partes seria inteiramente enganosa. Isso nos possibilita ver o quão inadequada deve ser nossa concepção mesmo do plano ou mundo imediatamente acima de nós; e compreenderíamos imediatamente a desesperança em pretender pleno entendimento da Mônada, que está separada por muitos desses planos ou mundos acima do ponto de onde estamos tentando considerá-la.
Pode nos ajudar se evocarmos em nossas mentes o método pelo qual a Deidade originalmente construiu estes planos. Falamos com toda a reverência a respeito de Seu método, percebendo plenamente que podemos no máximo compreender só o mais diminuto fragmento de Seu trabalho, e que mesmo este fragmento é visto por nós de baixo, enquanto que Ela o vê de cima. Assim, justifica-se dizermos que Ela envia de Si mesma uma onda de poder de influência de algum tipo, que molda a matéria primitiva pré-existente em certas formas às quais damos o nome de átomos.
A este plano ou nível, assim construído, chega uma segunda onda vital de divina energia, e para ela aqueles átomos já existentes são objetivos, estão fora de si mesma, e ela os modela em formas nas quais habita. Enquanto isso a primeira onda descendente chega novamente, penetrando através daquele plano ou nível recém-formado, e constrói pois um novo plano, inferior, com átomos um pouco maiores e matéria deste modo um pouco mais densa – mesmo que sua densidade ainda possa ser de longe mais sutil que nossa mais diáfana concepção de matéria. Então neste segundo mundo chega a segunda onda, e também nele encontra matéria que para ela é objetiva, e dela constrói suas formas. E assim o processo é repetido e a matéria torna-se cada vez mais e mais densa em cada mundo, até que finalmente chegamos a este nível físico; mas será útil mantermos em mente que em cada um desses níveis a animadora vida da segunda emanação encontra matéria já vivificada pela primeira emanação, que ela considera como objetiva, e da qual constrói as formas em que habita.
Este processo de animação das formas construídas de matéria já vivificada é continuado através dos reinos mineral, vegetal e animal, mas quando chegamos ao momento da individualização que separa a mais elevada manifestação animal da mais baixa humana, uma curiosa alteração tem lugar; aquilo que até então tinha sido a vida animadora se torna por sua vez ela própria animada, pois ela modela a si própria numa forma na qual o Ego entra, e da qual toma posse. Ele absorve em si todas as experiências que a matéria de seu corpo causal tenha tido, de modo que nada absolutamente é perdido, e ele as carrega consigo através das eras de sua existência. Ele continua o processo de formação de corpos nos planos inferiores a partir do material animado pela primeira emanação do Terceiro Aspecto da Deidade; mas finalmente ele chega a um estágio na evolução no qual o corpo causal é o mais inferior dos quais necessita, e quando isso acontece vemos o espetáculo da Mônada, que representa a terceira emanação do Primeiro Aspecto da Deidade, habitando um corpo composto de matéria animada pela segunda emanação.
Num estágio ainda mais tardio o evento anterior se repete uma vez mais, e o Ego, que havia animado tantas formas durante o período de uma cadeia inteira, se torna ele mesmo o veículo, e é animado por sua vez pela Mônada agora plenamente ativa e desperta. E aqui, como antes, nada jamais é perdido na economia da natureza. Todas as múltiplas experiências do Ego, todas as esplêndidas qualidades desenvolvidas em si, tudo isso passa à própria Mônada e acham nela uma realização imensamente mais vasta do que mesmo o Ego lhes poderia ter dado.
Sobre a condição de consciência da Deidade Solar fora dos planos de Seu sistema, não podemos formar nenhuma concepção real. Ela tem sido referida como o Fogo Divino; e se por um momento adotarmos este venerando simbolismo, podemos imaginar que Centelhas daquele Fogo caem na matéria de nossos planos – Centelhas que são da essência daquele Fogo, mas que por algum tempo aparentam estar separadas dele. A analogia não pode ser levada muito além, porque todas as centelhas das quais nada sabemos são lançadas fora daquele fogo originário e gradualmente se apagam e morrem; enquanto que estas Centelhas através de uma lenta evolução se desenvolvem em Chamas, e retornam ao Fogo Pai. Este desenvolvimento e este retorno aparentemente são os objetivos pelos quais as Centelhas emanam, e o processo de desenvolvimento é este que agora estamos tentando entender.
Parece que a Centelha como tal não pode em sua inteireza velar-se além de certa medida; ela não pode descer além do que chamamos segundo plano, e continuar preservando sua unidade. Uma dificuldade com que somos confrontados na tentativa de formarmos quaisquer idéias sobre esse assunto é que, até agora, nenhum de nós que investigamos é capaz de alçar sua consciência até este segundo plano; na nomenclatura recentemente adotada lhe damos o nome de Monádico porque é a morada da Mônada; mas nenhum de nós já foi capaz de perceber aquela Mônada em sua própria morada, mas somente de vê-la quando desceu um estágio para o plano ou nível ou mundo abaixo do seu próprio, no qual ela se manifesta como o Espírito trino, que em nossos primeiros livros chamamos de o Atma no homem. Mesmo assim ela é incompreensível, pois têm três aspectos que são muito distintos e aparentemente separados, mesmo sendo fundamentalmente uma e a mesma.
Tem sido descrito em outros livros como um destes três aspectos (ou seria mais acertado dizer a Mônada em seu primeiro aspecto) não pode descer ou não desce abaixo daquele nível espiritual; enquanto que em seu segundo aspecto realmente desce na matéria do mundo imediatamente abaixo (o intuicional), e quando este aspecto rodeou-se de matéria daquele nível o chamamos de divina sabedoria no homem, ou intuição. Enquanto isso, o terceiro aspecto (ou antes a Mônada em seu terceiro aspecto) desce também àquele plano intuicional e se reveste de sua matéria, e adota uma forma à qual ainda não foi atribuído nenhum nome em nossa literatura; mas ele também se move para adiante ou para baixo um estágio mais, e se reveste da matéria do mundo mental superior, e então o conhecemos como intelecto no homem. Quando esta manifestação tríplice nos três níveis assim tiver se desenvolvido, e manifestar-se como Espírito, intuição e intelecto, nós lhe damos o nome de Ego, e este Ego toma sobre si mesmo um veículo construído de matéria do mais alto plano mental, ao qual damos o nome de corpo causal. Este Ego assim funcionando em seu corpo causal tem sido freqüentemente chamado em nossa literatura anterior de Eu Superior, e às vezes de Alma.
Nós vemos o Ego então como uma manifestação da Mônada no plano mental superior; mas devemos entender que ele está infinitamente longe de ser uma manifestação perfeita. Cada descida de plano para plano representa muito mais que uma mera veladura do Espírito; significa além disso uma verdadeira diminuição na proporção de Espírito que é expressa. Usar termos denotando quantidade ao falarmos desses assuntos é inteiramente incorreto e ilusório; mesmo se uma tentativa for feita de expressar estes elevados assuntos em palavras humanas, estas incongruências de qualquer modo não podem ser inteiramente evitadas; e o mais perto a que podemos chegar, no cérebro físico, de uma concepção do que acontece quando a Mônada envolve a si mesma na matéria do plano espiritual, é dizer que somente parte dela possivelmente será vista lá, e que mesmo esta parte deve ser percebida sob três aspectos distintos, em vez da gloriosa totalidade que ela é realmente em seu próprio mundo. Assim quando o segundo aspecto do Espírito tríplice desce um estágio e se manifesta como intuição, não é a inteireza daquele aspecto que ela assim manifesta, mas só uma fração dele. E desse modo quando o terceiro aspecto desce dois planos e se manifesta como intelecto, é apenas uma fração de uma fração do que o aspecto intelecto da Mônada realmente é. Portanto o Ego não é uma manifestação velada da Mônada, mas uma representação velada de uma diminuta parcela da Mônada.
Como acima, assim embaixo. Como o Ego está para a Mônada, assim a personalidade está para o Ego. Assim, pela altura em que tivermos chegado na personalidade com a qual temos de lidar no mundo físico, o fracionamento já avançou tanto que a parte que somos capazes de ver não guarda nenhuma proporção apreciável em relação à realidade que ela tão inadequadamente representa. Pois é deste e com este fragmento ridiculamente inadequado que nós estamos tentando compreender o todo! Nossa dificuldade em tentarmos entender a Mônada é a mesma em espécie, mas muito maior em grau, do que aquela que encontramos quando tentamos realmente captar a idéia do Ego. Nos primeiros anos da Sociedade Teosófica houve muitas discussões sobre as relações entre o eu inferior e o Eu Superior. Naqueles dias não entendíamos a doutrina tão bem como a entendemos agora; não tínhamos a noção dela que prolongados estudos nos deram. Estou falando de um grupo de estudantes na Europa, que tinham atrás de si as tradições Cristãs, e as vagas idéias que o Cristianismo associa à palavra ‘alma’.
O Cristão comum de maneira alguma se identifica com sua ‘alma’, mas a considera como algo ligado a si de algum modo indefinido – algo por cuja salvação ele é responsável. Talvez nenhum homem comum dentre os devotos desta religião associe qualquer idéia definida à palavra, mas provavelmente a descreverá como sendo a parte imortal de si mesmo, ainda que em linguagem vulgar ele fale dela como se fosse uma possessão sua, como algo separado de si. No Magnificat, a Bendita Virgem diz: ‘Minha alma engrandece o Senhor, e meu espírito jubilou em Deus meu Salvador’. Ela pode aqui estar fazendo uma distinção entre a alma e o espírito, como o faz São Paulo; mas ela fala deles ambos como posses, e não como o Eu. Ela não diz: ‘Eu como alma engrandeço; Eu como espírito rejubilo’. Isto pode ser meramente uma questão de linguagem; seguramente mesmo assim esta pobre linguagem expressa uma idéia inexata e mal definida. Esta idéia estava no ar toda à nossa volta na Europa, e sem dúvida fomos influenciados por ela, e de início em alguma medida nós substituímos o termo ‘Eu Superior’ por ‘Alma’.
Então usamos expressões como ‘buscando o Eu Superior’, ‘ouvindo os apelos do Eu Superior’, e assim por diante. Eu lembro que o Sr. Sinnett costumava algumas vezes falar um tanto irreverentemente do Eu Superior, observando que ele deveria ter mais interesse do que o que ele parecia ter pela desafortunada personalidade lutando em seu nome aqui em baixo; e ele costumava ironicamente sugerir a formação de uma sociedade para a educação de nossos Eus Superiores. Foi somente com vagar que nós crescemos no sentimento de que o Eu Superior era o homem, e que o que vemos aqui embaixo é somente uma parte muito pequena dele. Só pouco a pouco nós aprendemos que só há uma consciência, e que a inferior, ainda que imperfeita representação da superior, não está de modo algum separada dela. Nós costumávamos pensar em ‘nos’ elevarmos até que pudéssemos ‘nos’ unir com aquele glorificado ser superior, não percebendo que o Eu Superior era o verdadeiro Eu, e que unir o superior ao inferior realmente significa abrir o inferior para que o superior possa trabalhar nele e através dele.
Leva tempo para tornarmo-nos integralmente permeados pelas idéias Teosóficas. Não é meramente a leitura dos livros, não é meramente mesmo um estudo árduo, que nos faz Teosofistas; devemos dar tempo para que o ensino se torne parte de nós. Podemos verificar isso constantemente no caso de novos membros. Pessoas se juntam a nós, pessoas de fina inteligência, pessoas da mais profunda devoção, verdadeiramente ansiosas por fazer o melhor que puderem pela Teosofia, e de assimilá-la tão rápida e perfeitamente quanto possível; e mesmo com tudo isso, e com todo o seu ávido estudo de nossos livros, não conseguem imediatamente colocar-se na posição dos membros mais velhos; e às vezes demonstram isso, fazendo alguma crua observação de que de modo algum se harmoniza com o ensino Teosófico. Não estou sugerindo que o mero transcurso do tempo produza esses efeitos, pois obviamente um homem que não estuda pode permanecer um membro por vinte anos e ao final deste período estar apenas pouco mais adiantado do que estava no início; mas alguém que pacientemente estuda, alguém que convive muito com aqueles que conhecem, entra rápido no espírito da Teosofia – ou talvez possa melhor ser dito que o espírito da Teosofia entra nele.
Evidentemente, portanto, os novos membros jamais deveriam interromper seus estudos, mas deveriam tentar entender as doutrinas sob todos os pontos de vista. Ano após ano estamos todos crescendo em direção à atitude daqueles que são mais velhos que nós, e isso vem principalmente pela associação e conversação com aqueles estudantes mais velhos. Os Mestres sabem quase infinitamente mais do que o mais avançado de Seus discípulos, e assim aqueles discípulos mais avançados continuam a aprender por sua associação com Eles; nós que somos discípulos muito menores do que aqueles que estão acima, do mesmo modo por nossa vez aprendemos pela associação com eles; e do mesmo jeito aqueles que não estão sequer em nosso nível podem aprender algo de uma associação semelhante conosco. Assim sempre os membros mais velhos podem ajudar os mais novos, e os mais novos têm muito o que aprender daqueles que já trilharam a estrada antes deles. Foi desse modo gradativo que vimos a entender algo sobre o Eu Superior e o eu inferior.
Se tentarmos expressar a relação da personalidade com o Ego, podemos colocá-la melhor dizendo que a primeira é um fragmento do segundo, uma pequenina parte dele se expressando sob sérias dificuldades. Encontramos uma pessoa no plano físico; falamos com ela; e pensamos e dizemos que a conhecemos. Estaria um pouco mais próximo da verdade se disséssemos que conhecemos uma milésima parte dela. Mesmo quando a clarividência é desenvolvida – mesmo quando um homem desenvolve a visão de seu corpo causal, e olha para o corpo causal de outro homem – mesmo então, ainda que contemple uma manifestação do Ego em seu próprio plano, ele ainda está longe de ver o homem real. Eu tentei, por meio das ilustrações em Man, Visible and Invisible (O Homem Visível e Invisível), dar algumas indicações de um lado do aspecto destes veículos superiores; mas as ilustrações são na verdade muitíssimo inadequadas; elas podem dar somente pálidos esboços da coisa real. Quando algum de nossos leitores desenvolver a visão astral, poderá com razão nos dizer, como a Rainha de Sabá disse ao Rei Salomão: ‘Sequer a metade me foi contada’. Ele pode dizer: ‘Aqui está toda esta glória e esta beleza, que me cerca em todas as direções e parece inteiramente natural; deveria ser fácil dar uma melhor descrição disso’. Mas quando, tendo visto e experimentado tudo isso, ele retornar ao seu corpo físico e o tentar descrever em palavras físicas, acho que encontrará as mesmas dificuldades que temos encontrado.
Ainda lembre-se que quando, usando a visão do corpo causal, um homem olha para o corpo causal de outro, nem assim é o Ego que ele vê, mas apenas matéria do plano mental superior que expressa as qualidades do Ego. Estas qualidades afetam a matéria, fazem com que vibre em diferentes freqüências e produzam cores por cuja observação o caráter do homem pode ser conhecido. Este caráter, neste nível, significa as boas qualidades que o homem desenvolveu, pois nenhuma qualidade má pode se expressar em matéria tão refinada. Pela observação do corpo causal conhecemos que ele possui em si todas as qualidades da Deidade – todas as possíveis boas qualidades, portanto; mas nem todas elas estão desenvolvidas antes que o homem tenha atingido um nível muito elevado. Quando uma qualidade má se manifesta na personalidade, isso deve ser interpretado como indicativo de que a boa qualidade oposta ainda não se desenvolveu no Ego; ela existe nele, assim como em todo mundo, mas ainda não foi chamada à atividade. Tão logo seja chamada à atividade suas intensas vibrações atuam sobre os veículos inferiores e se torna impossível que a oposta qualidade má possa novamente achar lugar neles.
Tomando o Ego por enquanto como o homem real, e olhando para ele em seu próprio plano, nós o vemos como um ser verdadeiramente glorioso; o único modo pelo qual podemos aqui embaixo formar uma concepção do que ele realmente é – é pensar nele como algum tipo de anjo esplêndido. Mas a expressão deste formoso ser no plano físico pode ficar muito aquém disso; na verdade, é obrigatório – primeiro, porque é apenas um minúsculo fragmento; e segundo, porque assim ele é desesperadamente tolhido por suas circunstâncias. Suponha-se que um homem coloque seu dedo dentro de um buraco na parede ou dentro de um dedal, de modo que não pudesse sequer dobrá-lo; quanto de si mesmo como um todo o homem poderia expressar através deste dedo em tais condições? Muito semelhante é o destino deste fragmento de Ego que está mergulhado no corpo denso. É um fragmento tão reduzido que não pode representar o todo; está tão atado e impedido que não pode mesmo expressar o que é. A imagem é tosca, mas pode dar algum tipo de idéia das relações da personalidade para com o Ego.
Vamos supor que o dedo tenha uma considerável proporção de consciência em si, e então, sendo separado do corpo, temporariamente esqueça que é parte daquele corpo; então ele esquece também a liberdade da vida mais ampla, e tenta adaptar-se ao buraco, dourar suas paredes e fazê-lo um buraco agradável pela aquisição de dinheiro, propriedades, fama e coisas assim – não percebendo que só vai realmente começar a viver quando sair todo do buraco, e reconhecer-se como parte do corpo. Quando, à noite, nos retiramos deste buraco pessoal e vivemos em nossos corpos astrais, estamos muito menos limitados e muito mais perto de nossos Eus verdadeiros, ainda que tenhamos ainda mais dois véus – nossos corpos astral e mental - que nos impedem de sermos nós mesmos plenamente e assim plenamente nos expressarmos. Ainda, sob essas condições somos muito mais livres, e é muito mais fácil compreender as realidades; pois o corpo físico é o mais embaraçador e confinante de todos, e impõe sobre nós as maiores limitações.
Nos ajudaria muito se pudéssemos conceber nossas limitações uma por uma; mas não é fácil. Perceba como no corpo astral podemos nos mover rapidamente através do espaço – não instantaneamente, mas ainda rápido; pois em dois ou três minutos poderíamos nos mover em torno do mundo. Mas mesmo então não podemos chegar a lugar algum sem passar pelo espaço intermédio. Podemos entrar em contato naquele nível com outros homens em seus corpos astrais. Todos os seus sentimentos estão descobertos a nós, de modo que não podem nos enganar sobre eles, ainda que o possam fazer a respeito de seus pensamentos. Vemos naquele mundo muitos habitantes mais que na Terra – aqueles que dizemos mortos, os espíritos da natureza mais evoluídos, os anjos do desejo, e muitos outros. A visão daquele plano nos habilita a ver o interior de cada objeto, e perscrutar o interior da Terra; assim de muitas maneiras nossa consciência é grandemente expandida.
Vamos um degrau além. Se aprendermos a usar os poderes do corpo mental, não perdemos por isso aqueles inferiores, pois estão incluídos no superior. Podemos ir então de um lugar para outro com a rapidez do pensamento; podemos então ver os pensamentos de nossos semelhantes, de modo que enganos não são mais possíveis; podemos ver as ordens mais elevadas de anjos, e a vasta multidão daqueles que, tendo encerrado sua vida astral, agora habitam o mundo celeste. Alçando-nos um degrau mais acima, e usando os sentidos do corpo causal, encontramos ainda maiores glórias esperando nosso exame. Se então olharmos para algum companheiro, o corpo que vemos dentro do seu ovóide já não tem semelhança com o atual ou último corpo físico, como ocorre nos planos astral e mental. O que vemos agora é o Augoeides, o homem glorificado, que não é uma imagem de nenhum de seus veículos físicos anteriores, mas contém em si a essência de tudo o que houve de melhor em cada um deles – um corpo que indica mais ou menos perfeitamente, mesmo que cresça com a experiência, o que a Deidade entende que o homem deva ser. Pela observação deste veículo podemos ver que grau evolutivo este homem atingiu; podemos ver o que sua história pregressa tem sido, e em considerável extensão podemos também distinguir o futuro que jaz à sua frente.
Os estudantes por vezes se admiram por que motivo, se isso é assim, as más qualidades que um homem demonstra em uma vida devam tão freqüentemente persistem em vidas posteriores. A razão é não só que porque a qualidade oposta ainda não foi desenvolvida abre-se a oportunidade para más influências agirem sobre o homem naquela direção particular, mas também que o homem carrega consigo de vida para vida os átomos permanentes de seus veículos inferiores, e estes tendem a reproduzir as qualidades expressas nas últimas encarnações. Então, poderia ser perguntado: ‘Por que carregar estes átomos permanentes?’ Porque é necessário para a evolução; porque o homem desenvolvido deve ser mestre de todos os planos. Se fosse concebível que pudesse desenvolver-se sem esses átomos permanentes, ele poderia possivelmente se tornar um arcanjo glorioso nos planos superiores, mas seria absolutamente inútil nestes mundos inferiores, pois ele teria amputado de si o poder de sentir e de pensar. Assim não devemos excluir os átomos permanentes, mas purificá-los.
A tarefa diante da maioria de nós no presente é perceber o Ego como o homem verdadeiro, para que possamos deixá-lo trabalhar, em vez deste falso eu pessoal com que tão prontamente nos identificamos. É tão fácil para nós sentir: ‘Estou faminto; estou com ciúme’; quando a verdade é que o que nos empurra para a fome e para o ciúme é meramente o elemental do desejo, que anseia por vibrações rudes e fortes, que o ajudam em seu caminho descendente em direção à matéria mais densa. Devemos perceber que o homem real jamais pode ser tão tolo para desejar vibrações tais como essas – que ele jamais pode desejar qualquer coisa além daquilo que seja bom para sua própria evolução, e de auxílio para outros. Um homem diz que sente-se impelido pela paixão. Que pare e pense: ‘Isso sou eu realmente?’ E descobrirá que isso de modo algum é ele, mas alguma outra coisa que está tentando dominá-lo e fazê-lo sentir-se assim. Ele tem o direito e o dever de afirmar sua independência dessa coisa, e proclamar-se um homem livre, tomando a rota da evolução que Deus assinalou para ele.
Portanto no presente é nossa tarefa percebermo-nos como Egos; mas quando isso for plenamente realizado, quando o inferior não passar de um instrumento perfeito nas mãos do superior, será nosso dever perceber que mesmo o Ego não é o homem real. Pois o Ego teve um início – veio à existência no momento da individualização; e o que quer que tenha tido um início deve ter um fim. Portanto mesmo o Ego, que tem perdurado desde que deixamos o reino animal, também é impermanente. Não haverá então nada em nós que perdure, nada que não se acabe? Há a Mônada, a Centelha Divina, que é veramente um fragmento de Deus, um átomo da Deidade. Cruas e inexatas expressões, certamente; mas não conheço outra maneira na qual a idéia possa ser transmitida tão bem do que com palavras como essas. Pois cada Mônada é literalmente uma parte de Deus; na aparência temporariamente separada dEle, enquanto está encerrada nos véus da matéria, ainda que na verdade jamais em momento algum realmente separada.
Ela jamais pode apartar-se de Deus, pois a própria matéria na qual vela a si mesma também é uma manifestação do Divino. Para nós algumas vezes a matéria parece ser má, porque nos carrega para baixo, embota nossas faculdades, parece arrastar-nos para trás em nosso caminho; mas lembremo-nos que é só porque ainda não aprendemos a controlá-la, porque ainda não percebemos que ela também é divina em sua essência, porque não existe nada exceto Deus. Um sábio Sufi uma vez me disse que a interpretação do grito que diariamente ecoa no chamado do muezzin do alto do minarete sobre todo o mundo de Maomé é esta: ‘Não há nenhum Deus além de Deus, e Maomé é o profeta de Deus’. Ele me disse que em sua opinião o verdadeiro significado místico da primeira parte deste brado é: ‘Não existe nada senão Deus’. E isso é verdade eternamente; sabemos que todas as coisas vêm d’Ele, e que para Ele todas um dia voltarão, mas achamos difícil perceber que tudo está n’Ele mesmo agora, e que n’Ele permanece para sempre. Tudo é Deus – mesmo o elemental do desejo, e as coisas que consideramos más, pois muitas ondas de vida emanam d’Ele, e nem todas elas se movem na mesma direção.
Nós, sendo Mônadas, pertencendo a uma onda anterior, somos de certo modo expressões mais completas d’Ele, um pouco mais perto d’Ele em nossas consciências do que a essência da qual é feito o elemental do desejo. No curso de nossa evolução há sempre o perigo de que o homem se identifique com o ponto onde é mais plenamente consciente. A maior parte dos homens hoje está mais consciente em seus sentimentos e paixões do que em qualquer outra coisa, e disso o elemental do desejo engenhosamente tira partido, e tenta induzir o homem a se identificar com esses desejos e emoções.
Assim quando o homem se eleva para um nível um pouco superior, e sua principal atividade se torna mental, há o perigo de que possa identificar-se com a mente, e é somente percebendo-se como Ego, e fazendo dele o ponto mais forte de sua consciência, que pode identificar-se completamente com ele. Quando tiver feito isso, terá atingido a meta de seus presentes esforços; mas imediatamente ele deve começar a esforçar-se de novo naquele nível mais alto, e tentar gradualmente perceber a verdade da asserção que fizemos no início, de que assim como a personalidade está para o Ego, do mesmo modo o Ego está para a Mônada. É inútil em nosso atual estágio tentarmos indicar os passos que ele deverá dar a fim de realizar isso, ou os estados de consciência através dos quais passará. Conceitos tais como os que podem ser formados sobre isso poderão ser compreendidos aplicando-se a antiga regra de que o que jaz abaixo é apenas um reflexo daquilo que existe nos mundos superiores, de maneira que os degraus e estágios devem nalguma extensão ser uma repetição num nível mais alto daqueles já experimentados em nossos esforços em níveis inferiores.
Podemos presumir reverentemente (ainda que aqui estejamos indo muito além de nosso conhecimento real) que quando final e plenamente tivermos percebido que a Mônada é o verdadeiro homem, encontremos atrás disso mais uma vez um território mais avançado, mais pleno e mais glorioso; descobriremos que a Centelha jamais esteve separada do Fogo, mas assim como o Ego permanece por trás da personalidade, assim como a Mônada permanece por trás do Ego, assim a própria Deidade Solar permanece por trás da Mônada. Talvez, ainda mais adiante, possa acontecer que de um modo infinitamente mais excelso, no presente de todo incompreensível, uma Deidade maior permaneça atrás da Deidade Solar, e além mesmo daquela, através de muitos estágios, lá deva permanecer o Supremo acima de tudo. Mas aqui até mesmo o pensamento nos falha, e o silêncio é a única verdadeira reverência.
Por enquanto, pelo menos, a Mônada é nosso Deus pessoal, o Deus interno em nós, aquele que nos põe aqui embaixo como manifestações dele em todos estes níveis, infinitamente inferiores. O que seja sua consciência em seu próprio plano não pretendemos dizer, nem O podemos entender plenamente quando colocou sobre si o primeiro véu e se tornou o trino Espírito. O único modo de entender estas coisas é alçando-nos a seus níveis e unificando-nos a elas. Quando fizermos isso compreenderemos, mas mesmo então seremos totalmente inábeis para explicar para quem quer que seja o que sabemos. É neste estágio, o estágio de Espírito tríplice, que pela primeira vez podemos ver a Mônada, e ela será aqui uma luz tripla de glória ofuscante, mas possuindo mesmo naquele estágio certas qualidades pelas quais uma Mônada difere um tanto da outra.
Freqüentemente um estudante pergunta: ‘Mas o que devemos fazer com ela enquanto estamos cá embaixo – esta glória ignota tão longe acima de nós?’ É uma pergunta natural, ainda que na realidade seja o inverso da que deveria ser; pois o homem real é a Mônada, e deveríamos antes dizer: ‘O que posso eu, a Mônada, fazer com meu Ego, e através dele com minha personalidade?’ Esta seria a atitude correta pois expressaria os fatos reais; mas não podemos verdadeiramente assumi-la, porque não podemos compreender isso. Assim podemos dizer a nós mesmos: ‘Eu sei que sou a Mônada, mesmo que não o possa ainda expressar: Eu sei que sou o Ego, uma mera fração da Mônada, mas apesar de tudo muito maior daquilo que eu reconheço como eu na personalidade daqui de baixo. Mais e mais tentarei perceber-me como aquele ser mais elevado e maior; mais e mais tentarei fazer esta representação inferior de mim mesmo digna de seu verdadeiro destino; mais e mais procurarei que este eu inferior esteja pronto para captar a mais leve sugestão ou sussurro de cima – seguir as sugestões do Ego a que chamamos intuições – reconhecer a Voz do Silêncio e obedecê-la’.
Pois a Voz do Silêncio não é sempre a mesma, mas muda à medida que nos desenvolvemos; ou talvez seria melhor dizermos que de fato é sempre a mesma, a voz de Deus, mas ela nos vem em diferentes níveis à medida que nos elevamos. Para nós hoje é a voz do Ego, falando à personalidade; logo será a voz da Mônada, falando ao Ego; mais tarde ainda será a voz da Deidade, falando à Mônada. Provavelmente entre estes dois últimos estágios possa existir um intermediário, na qual a voz de um dos sete grandes Ministros da Deidade possa falar à Mônada, e então por sua vez a própria Deidade possa falar a Seu Ministro; mas sempre a Voz do Silêncio é essencialmente divina.
É bom que aprendamos a distinguir esta voz – esta voz que fala de cima e mesmo assim de dentro; pois algumas vezes outras vozes falam, e seu conselho nem sempre é sábio. Um médium descobre isso, pois se não treinou-se para distinguir, amiúde pensa que toda voz vinda do plano astral deve necessariamente ser divina, e portanto ser seguida sem questionamentos. Portanto, a discriminação é necessária, tanto como a prontidão e a obediência.
No caso do homem comum, a Mônada faz alguma vez qualquer coisa que afete ou possa afetar sua personalidade aqui embaixo? Penso que podemos dizer que tal interferência é muitíssimo incomum. O Ego está tentando, em nome da Mônada, obter perfeito controle da personalidade e usá-la como um instrumento; e porque este objetivo ainda não foi plenamente conseguido, a Mônada pode bem sentir que não é chegado o tempo de ela interferir a partir de seu próprio nível, e trazer toda a sua força para baixo, quando a força que já está em ação é mais do que suficiente para os propósitos desejados. Mas quando o Ego já está começando a ser bem sucedido em seu esforço de administrar seus veículos inferiores, o homem real por trás às vezes intervém.
No curso de várias investigações calhou-nos examinar alguns milhares de seres humanos; e encontramos traços dessa interferência apenas em uns poucos. O exemplo mais impressionante foi encontrado na vigésima nona vida de Alcyone, quando ele comprometeu-se perante o Senhor Gautama a devotar-se em futuras vidas à obtenção do Budado a fim de auxiliar a humanidade. Aquilo pareceu-nos então ser uma questão de tal importância, e também de tal interesse, que nós nos demos ao trabalho de investigá-la. Esta foi uma promessa para o futuro longínquo, pois obviamente a personalidade através da qual foi feita não poderia de modo algum mantê-la; e quando averiguamos a parte que o Ego tomara nisso, descobrimos que ele mesmo, ainda que cheio de entusiasmo pela idéia, estava sendo impelido a isso por uma força mais poderosa vinda de dentro, à qual ele não poderia ter resistido, mesmo que o tivesse desejado. Seguindo esta pista mais adiante, descobrimos que a força propulsora proveio indubitavelmente da Mônada. Ela havia decidido, e o Ego havia registrado sua decisão; sua vontade, agindo através do Ego, claramente não terá dificuldade de fazer todas as personalidades futuras se adequarem.
Encontramos alguns outros exemplos do mesmo fenômeno no curso das investigações sobre os inícios da Sexta Raça Raiz. Olhando adiante para a vida naquela colônia Californiana, reconhecemos instantaneamente certos Egos bem conhecidos; daí surgiu a questão: ‘Uma vez que os homens dispõem de livre arbítrio, é possível que estejamos absolutamente certos de que todas estas pessoas estarão lá como prevemos? Nenhuma delas cairá pela estrada?’ Investigações posteriores nos mostraram que estava ocorrendo aqui mesma coisa que com Alcyone. Certas Mônadas já haviam respondido ao apelo das altas Autoridades, e tinham decidido que suas personalidades representantes deveriam auxiliar naquele glorioso trabalho; e por causa disso, nada do que estas personalidades pudessem fazer durante o tempo intermédio possivelmente interferiria com o cumprimento de tal decisão.
Que ninguém pense, por isso ser assim, que é compelido de fora a fazer isso ou aquilo; a força impulsionante é o seu Eu verdadeiro; ninguém além de você mesmo pode retê-lo em qualquer estágio de seu crescimento. E quando a Mônada decide, a coisa será feita; seria bom para a personalidade se ela submeter-se pronta e graciosamente, se reconhecer a voz de cima, e cooperar alegremente; pois se assim não fizer, atrairá sobre si muito sofrimento inútil. É sempre o próprio homem que está fazendo isso; e ele, na personalidade, tem de perceber que o Ego é ele mesmo, e ele tem agora de tomar como garantido que a Mônada é mais ainda ele mesmo – a expressão final e maior de si mesmo.
Seguramente esta visão será a mais encorajadora possível para o homem trabalhando aqui embaixo, este conhecimento de que ele é um ser muito maior e mais glorioso do que na realidade parece ser, e que há uma parte de dele – em largo a parte maior – que já conseguiu o que ele, como uma personalidade, está tentando conseguir; e que tudo o que ele tem de fazer aqui embaixo é tentar tornar-se um perfeito canal para este Eu mais alto e verdadeiro; fazer seu trabalho e tentar auxiliar os outros a fim de que ele possa ser um fator, mesmo que microscópico, no adiantamento da evolução do mundo. Para quem sabe, não é uma questão de salvar a alma; o Homem Real por trás não carece nenhuma salvação; Ele precisa somente que o homem inferior O perceba e O expresse. Ele próprio já é divino; e tudo de que precisa é ser capaz de realizar-Se em todos os mundos e em todos os planos possíveis, para que todo o Poder Divino através d’Ele possa agir neles igualmente, e Deus assim possa estar todo em tudo.

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