sexta-feira, 26 de setembro de 2008

“A verdade”.

“Tolo é quem deseja uma prova do que não consegue perceber;
estúpido é quem tenta fazer o tolo acreditar.”

(William Blake)


“A verdade”.


Um dia, um filósofo estava conversando com o Diabo quando passou
um sábio com um saco cheio de verdades. Distraído, como os sábios em geral
o são, não percebeu que caíra uma verdade.

Um cidadão comum vinha passando e, vendo aquela verdade caída, aproximou-se cautelosamente, examinando-a como quem teme ser mordido por ela e, após convencer-se de que não havia perigo, tomou-a em suas mãos, fitou-a longamente, extasiado, e então saiu correndo e gritando:

“Encontrei a verdade! Encontrei a verdade!”.

Diante disso o filósofo virou-se para o Diabo e disse:

“Agora você se deu mal. Aquele homem achou a verdade e todos vão saber que você não existe...”

Muito seguro de si, o Diabo retrucou:
“Pelo contrário. Ele encontrou um pedaço da verdade...”.
Com ela, vai fundar mais uma religião e eu ficar mais forte!”.


Autor desconhecido

ÉTICA E VIRTUDE

O homem deve submeter-se a uma moral que lhe diga o que deve e o que pode fazer, e o que não deve e não pode fazer.
Ética é o estudo filosófico de natureza e dos fundamentos do pensamento e das ações morais. As teorias éticas, no sentido puro do termo, são marcadamente diferentes dos sistemas ou doutrinas morais, que têm por objetivo a elaboração de conjuntos específicos de regras de conduta que orientem a vida (por exemplo, a moral cristã facilita a possibilidade de retribuir à sociedade em bens os males que praticou). Também se distingue pela prática aplicada, que analisa os argumentos empregados para embasar determinadas premissas ou conclusões morais (por exemplo, a condenação ou aceitação do aborto).
A Maçonaria é uma sociedade onde os homens devem viver como Irmãos, respeitando, cada um, os direitos dos outros e se compenetrando que toda a humanidade é filha de Deus, que cada ser humano é tão caro ao Pai como todos os outros, procura levar estes conceitos para a sociedade em geral. Isso leva à conclusão de que, na organização designada, genericamente, como Maçonaria, ou Franco-Maçonaria, deve prevalecer a harmonia e reinar a união ou convivência como de Irmãos.
A Maçonaria, como Fraternidade, deve ser uma Instituição fundamentalmente ética. Sendo até, pela sua definição, uma organização ética, de rígidos códigos de moral e alto o sistema de valores que orientam a conduta dos Maçons, e a quantos queiram ter um comportamento ético-maçônico:
- Reconhecer como Irmão todo Maçom e prestar-lhe, em quaisquer circunstâncias, a proteção e a ajuda de que necessitar; principalmente contra as injustiças de que for alvo;
- Haver-se sempre com probidade, praticando o Bem, a Tolerância e a solidariedade humana;
- Não são permitidas polêmicas de caráter pessoal nem ataques prejudiciais à reputação de Irmãos, nem se admite o anonimato.
- Sobretudo, a mais importante regra ética do Maçom é a prática do Bem. É a prática efetiva da Virtude. A Virtude é o hábito de praticar o Bem.
O comportamento ético-maçônico deve constituir o nosso modo de ser e de agir em todas as circunstâncias éticas da vida. Ao Maçom compete manter uma conduta ética no cotidiano, e que estabeleça com o seu semelhante e a sociedade ainda que em detrimento de seu interesse pessoal. Para isso deve consultar sempre sua consciência, onde está escrita a lei de Deus.
Aristóteles (384-322 a.C.) não separava a ética da virtude. Todos os atos virtuosos são éticos e bons. Pelos atos que pratica pode-se conhecer se uma pessoa é virtuosa ou não. Pelo modo de se portar, logo ficamos sabendo se um irmão é ou não, um bom Maçom.
Kant, faz do conceito de dever o ponto central da moralidade (chamada “deontologia”, ou seja, o estudo dos princípios, fundamentos e sistemas de moral). Kant dizia que a única coisa que se pode afirmar que seja boa em si mesma (e não apenas boa como meio ou instrumento) é a “boa vontade” ou boa intenção, aquela que se põe livremente de acordo com o dever.
Existe, para todos os homens, uma força inspiradora absoluta, universal que se chama DEVER – a obrigação moral que cada um de nós tem, de fazer ou deixar de fazer alguma coisa. Para o Maçom, como homem honesto, é simples e fácil; requer honestidade, sinceridade, simplicidade, lealdade, estudo e a disposição de ensinar, o que é capaz de fazer, bastando a compreensão de nós mesmos como limitados e ignorantes. Quando temos a força e a sabedoria de Deus, cumprimos nosso dever recebendo d’Ele aquilo que é necessário e está acima de nossas forças.
O conhecimento de dever, segundo Kant, é conseqüência da percepção, pelo sujeito, de que ele é um ser racional e que portanto está obrigado a obedecer ao que Kant chamou “imperativo categórico”: a necessidade de se respeitar todos os seres racionais na qualidade de “fins em si mesmos”. As idéias de Kant acerca da moralidade estão estreitamente ligadas à sua visão do livre arbítrio. O homem possui o livre arbítrio, podendo escolher o seu destino – O Bem ou o mal. Os atos morais são livres, podem ser escolhidos. Assim sendo, quem os pratica, é responsável por seus efeitos. A responsabilidade é moral, quando o individuo responde por seus atos perante a sua própria consciência, e social, quando responde por eles perante a sociedade que o julgará pelas leis que regem o grupo, levando-o a formular e praticar uma nova filosofia de vida, uma nova conduta ética.
O terceiro sistema dentro da ética é o utilitarismo – sistema ou modo de agir do individuo utilitário que conhece seus deveres, desfruta do gosto de fazer o Bem, conhece o atrativo da Pura Virtude, segundo o qual o objetivo da moral é o de proporcionar “o máximo de felicidade ao maior número de pessoas”. Pensado verdade, uma mentira não acha sitio em sua mente; pensado amor, o ódio não poderá turbá-lo; pensado sabedoria, a ignorância não poderá paralisá-lo. O homem que aprende esta lição prática, encontrará pronto seu valor e descobrirá que, pelo reto pensar, a vida pode fazer-se mais nobre, bela e ditosa.
ÉTICA MAÇÔNICA
O conceito maçônico de Ética se confunde com o de Moral. Sendo a moral em resumo a regra de bem proceder, isto é, de distinguir o Bem do mal, fundamenta-se na observância da lei Divina. O homem procede bem quando tudo faz pelo bem de todos.
Depende da vontade de cada um praticar a Virtude, isto é, qualidade própria do homem, o que implica força, coragem. As virtudes seriam, portanto, as “forças que ornam o caráter”. Para a Maçonaria, a Virtude é a disposição habitual para o bem e para o que é justo e, por isso, nela vê a prova da perfeição e o próprio ideal do Maçom. Ela nos ensina, em seus Rituais, que devemos erigir templos à Virtude e cavar masmorras ao vício.
Entenda-se o Bem (Virtude) tudo o que e conforme a lei de Deus; o mal (vício), tudo o que lhe é contrário. Assim, fazer o bem é proceder de acordo com a lei de Deus. Fazer o mal é infringi-la. Daí vê-se a importância que a Maçonaria dá a essa questão.
A sublimidade da virtude, porém, está no sacrifício do interesse pessoal em favor do próximo, sem pensamento oculto.
Na fase histórica que vivemos, a sociedade graças ao rompimento de sua estrutura familiar e o avanço avassalador da imoralidade, enfrenta uma das maiores crises éticas, quando a vida humana sofre enorme violência, quando crescem a miséria e a exclusão social e quando aumenta a desilusão diante das promessas de bem-estar econômico, quando a solidariedade é moeda em baixa; o respeito às demais pessoas é praticamente inexistente; o acatamento da lei e da ordem vai escorrendo pelo ralo; a deslealdade no sentido de auferir vantagens, vai de vento em popa, quem está por cima pisa na cara de quem está por baixo e quem está por baixo tenta puxar quem está por cima.
A Maçonaria conclama os Maçons a enfrentar com coragem os desafios cotidianos, a não esmorecer no empenho da justiça social, reconhecendo em cada pessoa a dignidade de filho de Deus.
Devemos combater o erro, ser tolerantes, mas nunca coniventes, fingindo não ver ou encobrindo o mal praticado por outrem.
Os Maçons devem dar exemplos de moral, de ética e de virtudes. Afinal nossa Sublime Instituição afirma ser: – educativa, filantrópica e filosófica que tem por objetivo os aperfeiçoamentos morais, sociais e intelectuais do Homem por meio do culto inflexível do Dever, da prática desinteressada da Beneficência e da investigação constante da Verdade.
Afinal, reconhece-se o verdadeiro Maçom pela sua transformação moral e pelos esforços que emprega para domar suas inclinações más.
Valdemar Sansão
E-mail: vsansao@uol.com.br
Fone: (011) 3857-3402
Consultamos:
Nova Enciclopédia Ilustrada FOLHA;
Rituais Maçônicos.
A ética é a arte de criar um caráter moral, de contrair hábitos de que resulte, naturalmente, um porte conforme as leis do dever. Esta concepção da moral, que liga a virtude com o caráter e os costumes, um tanto distante de certas concepções modernas, tendendo, no entanto, a predominar cada vez mais sobre todas as outras.

AMOR FRATERNO

AMOR FRATERNO


O rei Salomão foi um rei judeu considerado dos mais sábios. Durante
seu reinado, viveram em Sião dois irmãos que eram agricultores e
semeavam trigo. Quando chegou a época da colheita, cada um foi colher
o trigo no seu campo. Uma noite, o irmão mais velho juntou vários
feixes da sua colheita e os levou para o campo do irmão mais novo,
pensando: "Meu irmão tem sete filhos. São muitas bocas para
alimentar. É justo que eu lhe dê uma parte do que consegui."

Contudo, o irmão mais novo também foi para o campo, juntou vários
feixes do seu próprio trigo, carregou até o campo do irmão mais
velho, dizendo para si mesmo: "Meu irmão é sozinho, não tem quem o
auxilie na colheita. É bom que eu divida uma parte do meu trigo com
ele". Quando se ergueram ambos, pela manhã, e foram para o campo,
ficaram muito admirados de encontrar exatamente a mesma quantidade de
trigo do dia anterior.

Chegada a noite seguinte, cada um teve o mesmo gesto de gentileza com
o outro. Novamente, ao acordarem, encontraram seus estoques intactos.
Foi na terceira noite, no entanto, que eles se encontraram no meio do
caminho, cada qual carregando para o campo do outro um feixe de
trigo. Abraçaram-se com força, derramaram muitas lágrimas de alegria
pela bondade que os unia.

A lenda conta que o rei Salomão, ao tomar conhecimento daquele amor
fraterno, construiu o Templo de Israel naquele lugar da fraternidade.

O amor fraterno é um dos exercícios para se alcançar a excelsitude do verdadeiro amor. Os que nascemos numa mesma família, como irmãos de
sangue somos, as mais das vezes, Espíritos que já nos conhecemos
anteriormente em outras existências. É isso que explica os laços do
afeto que nos une. Embora ocorram casos em que os irmãos se
detestem, chegando mesmo ao ponto de se destruírem mutuamente, comove
observar como tantos outros se amam e se auxiliam.

Percebe-se, pela sua forma de agir, que nasceram para amparar-se
mutuamente e alcançar objetivos altruístas. É comovente observar como
Deus dispõe os seres de forma a exercitarem o amor. Lembramos de uma
família na qual o segundo filho é portador de enfermidade que o
impossibilita, desde os verdes anos da infância, a ter uma vida
dentro dos parâmetros considerados de normalidade.

Necessita de amparo constante, pois até mesmo as refeições não
consegue fazer sozinho. E o irmão menor, extremamente dedicado,
sempre pronto a atendê-lo.
"Eu ajudo", são suas palavras mais freqüentes.

Amor fraterno. Felizes os que aproveitam a oportunidade do exercício
e estabelecem pontes eternas do seu para o outro coração.

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Aprender e Ensinar

Costumo dizer, com alguma frequência, e já aqui o escrevi, que a Maçonaria não se ensina, aprende-se. No texto Variação sobre o silêncio, porém, escrevi que ter a palavra é ter o poder de ENSINAR. E, nesse sentido, só os Mestres ensinam, só os mestres detêm a palavra. Atento, como habitualmente, logo o simple, em comentário a este texto, assinalou a aparente contradição. Cumpre, então, esclarecer.A Maçonaria não se ensina, aprende-se. Com esta frase, procuro enfatizar que tudo o que é verdadeiramente importante, essencial, na Maçonaria não nos é transmitido por ninguém, é apreendido por nós próprios. O que qualquer outro, por muito sabedor que seja, nos transmita, nos ensine, em Maçonaria é sempre acessório, não verdadeiramente essencial. O que de verdadeiramente importante há na Maçonaria é aquilo que é impossível de transmitir por palavras. É aquilo que constitui o verdadeiro Segredo Maçónico. A isso, chega-se pela vivência, pelo trabalho e pelo estudo, pela meditação, pela análise, pela introspecção. Isso está dentro de cada um de nós e só nós mesmos o podemos localizar, descobrir, reconhecer e apreciar. Isso é, em suma, o sentido da existência e da Criação. Todos o temos dentro de nós e ao nosso alcance. A imensa maioria nem sequer sabe que o tem. Alguns sabem que o têm, mas não sabem como o encontrar. Una quantos dedicam-se à tarefa e ao caminho. Esses buscam o verdadeiro Graal. Esses são verdadeiros maçons. Alguns nunca usaram um avental...A Maçonaria é um caminho que cada um tem de percorrer. Às vezes, um caminho que não nos é aparente, que, em boa verdade, somos nós próprios que o estamos criando com o nosso caminhar. Cada um tem o seu. Alguns, muitos, seguem muito do caminho em conjunto e só mais além cada um escolhe sua diferente vereda. Una vão mais além, outros ficam mais perto. Uns satisfazem-se com o que encontram a dado passo, outros persistentemente escavam mais fundo e descobrem novos caminhos debaixo do caminho original. Todos podem encontrar o que precisam. Basta que o queiram e façam por isso.O caminho de meu Irmão pode ser diferente do meu. Portanto, de nada vale ensinar-lhe o caminho que conheço. O meu Irmão pode precisar de algo bem diverso do que eu preciso. Logo, é inútil procurar ensinar-lhe a procurar o que eu procuro. O que fará sentido para o meu Irmão pode muito bem ser diverso do que para mim tem significado e aquilo que eu reconheço como essencial descoberta pode a ele deixá-lo indiferente. Assim, é estulto procurar ensinar-lhe o meu significado.A pintura que Leonardo da Vinci pintou, só ele a poderia exactamente pintar. tal como a de pintura de Dali só ele a poderia exactamente assim fazer. Tal como a de Rembrandt é única. Ou a de Van Gogh. Cada um dos grandes mestres da pintura percorreu o seu único e individual caminho para chegar onde chegou, criar o que criou. Não é possível (nem sequer desejável) procurar ensinar quem quer que seja a ser da Vinci, ou Dali, ou Rembrandt ou Van Gogh. O melhor que se conseguiria seria criar falsários ou imitadores... Mas todos – da Vinci, Dali, Rembrandt, Van Gogh e o mais obscuro e desconhecido candidato a pintor – usaram ou usam tintas e pincéis e telas e cavaletes e lidaram ou lidam com a luz e a sombra e a forma e a textura. Cada um lidará com eles da forma que pessoalmente souber e conseguir. Um foi da Vinci, outro não passará nunca de Rui Bandeira, tão destituído de sentido plástico que tudo o que fizesse pareceria sempre feito com a mão esquerda, não sendo canhoto...A escrita de Eça é dele e o seu brilho tem o fulgor do reflexo o seu monóculo. Poesia como a de Camões, ninguém mais escreveu, nem daqui nem de além da Taprobana. O ascetismo de Cardoso Pires não se confunde com a sobriedade de Lobo Antunes. E esta difere do espírito de Agustina e do pessimismo controlado de Saramago. E com nenhum destes se confunde a profundidade de Torga, nem a autenticidade de Aquilino. No entanto, todos eles utilizaram a mesma língua, trabalharam as mesmas letras, se inspiraram no mesmo Povo...A arte de cada pintor, ninguém lha ensinou, aprendeu-a ele. A criação literária de cada escritor não a obteve ele de nenhum professor, aprendeu-a ele da sua vida, da sua observação, do seu interior. No entanto, ao pintor, no seu início, houve quem lhe ensinasse a usar pincéis, a fazer tinta, a combinar texturas. E os escritores tiveram quem lhes ensinasse a ler e a escrever.Assim sucede também em Maçonaria. Esta não se ensina, aprende-se. Mas as ferramentas, os meios, os símbolos, o enquadramento ético, esse pode e deve ser ensinado.O B-A BÁ não passa disso mesmo. Mas sem se passar por ele, não se pode escrever um livro digno do Nobel ou pintar uma obra merecedora de ser exposta no Louvre.Cada Mestre ensina os rudimentos, mostra as ferramentas e como se trabalha com elas. E depois cada um aprende e faz com elas o que conseguir.Irmão Rui Bandeira

A Ordem Rosa-cruz e a Maçonaria


Para saber-se as ligações entre a Maçonaria e a Ordem Rosa-Cruz ou antiga e Mística Ordem Rosae Crucis (AMORC) como preferem os seus adeptos, vamos fazer algumas considerações sobre essa Ordem.
Rosa-cruz é denominação da fraternidade filosófica, que, de acordo com a tradição mais em voga, teria sido fundada por Christian Rosenkreuz e representa uma síntese do ocultismo imperante na Idade Média.
Harvey Spencer Lewis pretende, todavia, que rosenkreuz tenha sido, simplesmente, um renovador, já que a instituição remontaria ao antigo Egito, à época do faraó Amenophis IV. O rosacucianos, tem aceitado essa hipótese falseando, lamentavelmente a verdade histórica, pois, na realidade, essa fraternidade nasceu no período medieval, embora apresentando, em sua ritualística, muito do misticismo das antigas civilizações, como acontece com a maçonaria (muitos maçons também querem fazer crer que a Ordem Maçônica é antiguíssima e já existia no Antigo Egito e na Pérsia, o que é, verdadeiramente, uma heresia histórica).
O rosacrucianismo, assim como a Maçonaria, é um sincretismo de diversas correntes filosóficas-religiosas: hermetismo egípcio, cabalismo judaico, gnosticismo cristão, alquimia etc. A primeira menção histórica da ordem data de 1614, quando surgiu o famoso documento intitulado “Fama Fraternitatis”, onde são contadas as viagens do alemão Rosenkreuz pela Arábia, Egito e Marrocos, locais onde teria adquirido sua sabedoria secreta, que só seria revelada aos iniciados.
A Ordem nas Américas
Harvey Spencer Lewis foi à pessoa que reativou a AMORC na América do Norte, no início do século XX, já que ela havia existido anteriormente, onde algumas pessoas que se destacaram como Benjamim Frnklin teriam pertencido à mesma. Na ocasião a Ordem era ativa em alguns países da Europa, como França e Alemanha, mas com rituais diferenciados. Harvey Spencer Lewis ao trazer a AMORC para a América, não o fez sem antes estudar por mais de 10 anos suas raízes, o que permitiu mais tarde unificar todas as ordens no mundo, cuja essência fosse a mesma. A introdução do estudo à distância permitiu a rápida proliferação da AMORC e em 1915 ele tornou-se o 1º IMPERADOR, (se supremo da Organização), para a América do Norte. A unificação com a as demais ordens ocorreu no início dos anos 30, tornando-se Lewis o primeiro imperador mundial. No Brasil, os estudos foram introduzidos na década de 50, e o cargo supremo é ocupado por um grande mestre.
O nome AMORC – Antiga e mística Ordem Rosa Cruz foi dado para diferenciar-se de outras ordens filosóficas de mesmo nome, mas com diferente essência.
O Casamento Químico de Christian Rosenkreuz
O teólogo Johann Valentin Andréa, neto do também teólogo luterano Jacob Andréa, foi o homem que divulgou o rosacurcianismo. Andréa, que nasceu em Herremberg, no Werttemberg, em 1581, depois de viajar pelo mundo, retornou à Alemanha, onde se tornou pregador da corte e, posteriormente, abade. A sua principal importância, todavia, originou-se do papel que ele teve naquela sociedade alemã, que no princípio do século XVII, lutava por uma renovação da vida, com uma nova insuflação espiritual.
A popularidade alcançada por Andréa, entretanto, com a Societas Solis (Sociedade do Sol), a que ele procurou dar vida e a Ordem das Palmeiras, em que ele foi admitido aos 60 anos de idade, não se comparou à que ele conseguiu ao publicar o seu romance satírico “O Casamento Químico de Christian Rosenkreuz”, que criticava, jocosamente, os alquimistas e as ligas secretas,numa época que, de maneira geral, era de desorientação, onde o ar andava cheio de rumores e a velha ordem religiosa desagregava-se. A partir de 1597, já aconteciam reuniões de uma liga secreta de alquimistas, que haviam ficado sem irradiações e sem significado espiritual. Foi então que a palavra Rosa-Cruz adquiriu, rapidamente, uma grande força atrativa, a ponto de, num escrito anônimo de 1614, chamado “Transfiguração Geral do Mundo”, ser incluído o conceito de “Fama Fraternitatis R.C.”,sem necessidades de ser escrito por extenso, pois ele já era bem entendido. Uma outra pequena obra, surgida um ano depois e chamada “Confessio”, publicava a constituição e a exposição dos fins que a Ordem era destinada.
O Herói Viveu 150 Anos, Extinguindo-se Voluntariamente.
De acordo com o “Confessio”, a ordem Rosa-cruz representaria uma alquimia de alto quilate, na qual em vez das pesquisas sobre a Pedra Filosofal, era buscada uma finalidade superior,ou seja, a abertura dos olhos do espírito, através dos quais pudesse, o homem, ficar apto a ver o mundo e os seus segredos com mais profundidade. As correntes dos alquimistas medievais, então, diante da necessidade espiritual da época,incrementada pela disposição de renovação e organização secreta, tomaram enorme vulto com o aparecimento do romance satírico de Andréa.
O herói do romance é o Christian Rosenkreuz já descoberto pela “Fama Fraternitatis” e que já tinha, no século XIV, viajado pelo Oriente e, ali, aprendido a “Sublime Ciência”; teria ele segundo a lenda que lhe cercou o nome, voltado para a Alemanha, onde sua idéia foi seguida por muitas pessoas, até chegar aos 150 anos de idade, quando, cansado na vida, extingui-se voluntariamente.
Andréa, no romance, aproveitou-se do nome que havia sido encontrado para ser a figura fundadora, mas o seu Rosenkreuz era velho e impotente, motivo pelo qual o seu casamento só poderia ser químico.
Todavia, ele tem cultura e conhece muitos segredos, além de estar sempre ávido por conhecer outros, por esse motivo é que, em cera ocasião, como hóspede da família real, ele entra num quarto em que dorme Vênus; depois quando, como outros convidados, ao ser proclamado cavaleiro da ordem da Pedra Dourada deve, de acordo com os estatutos da Ordem, repudiar toda a lascívia, torna-se público o seu erro. Assim, enquanto os outros vão embora, como cavaleiros da nova Ordem, ele tem que ali permanecer, na qualidade de porteiro, como castigo por ter descoberto Vênus.
A Mística Idéia da Rosa Provocou Grande Sedução.
Com essa sátira, dirigida às sociedades secretas e à alquimia, Andréa havia desvendado tanto de positivo sobre a nova Ordem, que restou a impressão de que ela já existia, ainda que só como imagem literária. Pode-se notar, facilmente, que a Pedra Filosofal dos alquimistas (que transformaria os metais inferiores em ouro); além disso, o encontro dos convidados ao casamento, vindos de todas as partes do mundo, e a sua ligação dentro da nova ordem ilustram o desejo de dar corpo aos esforços no sentido de uma renovação espiritual da vida, valendo-se do sugestivo símbolo Rosa-cruz.
Esse símbolo, além de sugestivo, corresponde à ansiedade daquela época. Alguns procuraram relacioná-lo com as armas de Lutero, coisa que não pode ser facilmente aceita,pois ele poderia ser, nesse caso, relacionado, também, com as armas de Paracelso, convindo esclarecer que Andréa representou o seu Rosenkreuz com quatro rosas no chapéu, rosas essas que, desde a época de seu avô Jacob Andréa, adornavam as armas de sua família. Robert Fludd, considerado como o primeiro rosa-cruz da Inglaterra, diz que o nome da ordem está ligado a uma alusão ao sangue de Cristo, na cruz do Gol-gota; a mística idéia da rosa, associada à lembrança da cor do sangue e aos espinhos que provocam o seu derramamento, contribuiu, certamente, para dar à palavra, uma grande força de sedução. Além disso, muitos rosacruzes vêem, no emblema, um símbolo alquimista, concretizando uma ambigüidade muito comum aos símbolos.
Os rosacruzes atuais têm uma interpretação bem mais mística a respeito da cruz e a rosa. A cruz representaria o ser humano, a parte material, enquanto a rosa representaria o ser imaterial, a alma, espírito ou corpo astral.
A Junção dos Sexos Leva ao Segredo da Imortatalidade.
Como a preocupação máxima dos alquimistas que se ligaram à Ordem Rosa-cruz era o segredo da imortalidade e a regeneração universal, o símbolo rosacruciano está relacionado com essa preocupação. Em botânica oculta, a rosa era uma flor iniciática, para diversas ordens religiosas, sendo, que, atualmente, a arte sacra continua a considerá-la como símbolo da paciência, do martírio, da Virgem (Rosa Mística); no quarto domingo da Quaresma, em todos os anos, o para benza a Rosa de Ouro, que é considerada como um dos muitos sacramentais oferecidos pela Igreja, em sua liturgia. Em última análise, a rosa representa a mulher, enquanto que a cruz simboliza o sexo masculino, pois para os hermetistas, ela é o símbolo da junção da eclíptica com o equador terrestre (eclíptica é a órbita aparente do Sol, ou a trajetória aparente que o Sol descreve, anualmente, no céu); ambos cruzam-se no equinócio da primavera e no equinócio de outono.
Assim, a Rosa simboliza a Terra, como ser feminino, e a Cruz simboliza a virilidade do Sol, com toda a sua força criadora que fecunda a Terra. A junção dos sexos leva à perpetuação da vida e ao segredo da imortalidade, resultando, também, dela, a regeneração universal, que é o ponto mais alto da doutrina rosacruciana.
A Alquimia Evidencia Uma Ligação Entre as Duas Ordens.
Existe ligação entre a Maçonaria e os rosacruzes e essa ligação começou já na Idade Média. No fim do período medieval e começo da Idade Moderna, com inicio da decadência das corporações operativas (englobadas sob rótulo de maçonaria de Ofício ou operativa), estas começaram, paulatinamente, a aceitar elementos estranhos à arte de construir, admitindo, inicialmente, filósofos, hermetistas e alquimistas, cuja linguagem simbólica assemelhava-se à dos francos-maçons. Como a Ordem Rosa-cruz estava impregnada pelos alquimistas, como já vimos, Dara daí a ligação do rosacrucianismo e da alquimia com a Maçonaria. Leve-se em consideração, também, que durante o governo de José II, imperador da Alemanha de 1765 a 1790, e coregente dos domínios hereditários da Casa d’Áustria, houve um grande incremento da Ordem Rosa-cruz e sua comunidade, atingindo até a Corte e fazendo com que o imperador proibisse todas as sociedades secretas, abrindo, apenas, exceção aos maçons o que fez com que muitos rosacruzes procurassem as lojas.
Ambas as Ordens são medievais,se for considerado o maior incremento da Maçonaria de Ofício durante a Idade Média e o início de sua transformação em Maçonaria dos Aceitos (também chamada, indevidamente, de “Especulativa”).Se, todavia, considerarmos o início das corporações operativas, em Roma, no século VI antes de Cristo, a maçonaria é mais antiga. Isso, é claro, levando em consideração apenas, as evidências históricas autênticos e não as “lendas”, que fazem remontar a origem de ambas as instituições ao antigo Egito.
A maçonaria é uma ordem totalmente templária, ou seja, os ensinamentos só ocorrem dentro das lojas. Já a Antiga e Mística Ordem Rosa-cruz dá ao estudante o livre arbítrio de estudar em casa ou em um templo Rosa-cruz. O estudo em casa é acompanhado à distância, e assim como a maçonaria, é composto de vários graus, que vão do neófito (iniciante) ao 12º grau, conhecido como grau do ARTESÃO.
O estudo no templo, mesmo não sendo obrigatório, proporciona ao estudante além do contato social como os demais integrantes, a possibilidade de participar de experimentos místicos em grupo, e poder discutir com os presentes os resultados, e por último, a reunião templária fortalece a egrégora da organização, o que também ocorre na maçonaria.
Da Regeneração e Imortalidade a Reformador Social.
A partir da metade do século XVIII e, principalmente, depois de José II, com a maciça entrada dos rosacruzes nas lojas maçônicas, tornava-se difícil, de uma maneira geral, separar Maçonaria e roscrucianismo, tendo, a instituição maçônica, incorporado, aos seus vários ritos, o símbolo máximo dos rosacruzes: ao 18º grau do Rito Escocês Antigo e Aceito, ao 7º grau do Rito Moderno, ao 12º grau do Rito Adoniramita etc.
O Cavaleiro Rosa Cruz, é, como o próprio nome diz, um grau cavaleiresco e se constitui no 18º Grau do Rito Escocês Antigo e Aceito. A sua origem hermetista e a sua integração na Maçonaria, durante a Segunda metade do século XVIII, leva a marca dos ritualistas alquímicos, que redigiram naquela época os rituais dos Altos Graus. O hermetismo atribuído ao Grau 18 é perceptível no símbolo do grau, que tem uma Rosa sobreposta à Cruz, representando esta, o sacrifício e a Rosa op segredo da imortalidade, que nada mais é do que o escoterismo cristão, com a ressurreição de Jesus Cristo, ou seja, a tipificação da transcendência da Grande Obra.
A Maçonaria também incorporou, em larga escala, o simbolismo dos rosacruzes, herdeiros dos alquimistas, modificando, um pouco, o seu significado e reduzindo-o a termos mais reais. Assim, o segredo da imortalidade da alma e do espírito humano, enquanto é aceito o princípio da regeneração só pode ocorrer através do aperfeiçoamento contínuo do homem e através da constante investigação da Verdade. O misticismo dos símbolos rosacruzes, todavia, foi mantido, pois embora a Maçonaria não seja uma ordem mística, ela, para divulgar, a sua mensagem de reformadora social, utiliza-se do misticismo de diversas civilizações e de várias correntes filosóficas, ocultistas e metafísicas.
As Iniciações.
Uma singularidade entre a AMORC e a Maçonaria, são as iniciações nos seus respectivos graus, sendo que para ambas, a primeira é a mais marcante. No caso da Maçonaria a iniciação é ao grau de Aprendiz, e da AMORC, a admissão ao 1º grau de templo. As iniciações têm o mesmo objetivo, impressionar o iniciante, levá-lo à reflexão, para que ele decida naquele momento se deve ou não seguir adiante, e se o fizer, assumir o compromisso de manter velado todos os símbolos, usos e costumes da instituição de que fará parte.
O Simbolismo.
Vários são os símbolos comuns às duas instituições, a começar pela disposição dos mestres com cargos, lembrando os pontos cardeais, e a passagem do Sol pela Terra, do Oriente ao Ocidente.
Cada ponto cardeal é ocupado por um membro. A figura do venerável mestre na maçonaria, ocupando sua posição no Oriente, encontra similar na Ordem Rosa-cruz, na figura de um mestre instalado, que ocupa seu lugar no leste. A linha imaginária que vai do altar dos juramentos ao Painel do Grau, e a caminhada somente no sentido horário, também é similar. Em ambos os casos o templo é pintado na cor azul celeste, e a entrada dos membros ocorre pelo Ocidente.
O altar dos juramentos encontra semelhança no Shekinah na ordem Rosa Cruz, sendo que neste último não se usa a bíblia ou outro livro, mas sim 3 velas dispostas de forma triangular, que são acesas no início do ritual e apagadas ao final deste, simbolizando a luz, a Vida e o Amor.
Outra semelhança é o uso de avental por todos os membros iniciados ao adentrarem o templo, enquanto que os oficiais, (equivalente aos mestres com cargo), usam paramentos especiais, cada qual simbolizando o cargo que ocupa no ritual.
O avental usado pelos membros não diferencia o grau de estudo.
Algumas das diferenças ficam por conta da condução do ritual, onde na rosa cruz tem caráter místico-filosófico.
Os iniciantes na Ordem Rosa Cruz recebem seus estudos em um templo separado, anexo ao templo principal, enquanto os aprendizes maçons recebem suas instruções juntamente com os demais irmãos e, finalmente, o formato físico da loja maçônica lembra as construções greco-romanas, enquanto que a Ordem Rosa Cruz (AMORC) lembra as construções egípcias.

sábado, 13 de setembro de 2008

O CULTIVO DA TOLERÂNCIA

A nossa Sublime Ordem exige de seus Iniciados o cumprimento de sérios deveres e enormes sacrifícios.
A Maçonaria proclama em seus princípios gerais "que os homens são livres e iguais em direitos e que a tolerância constitui o princípio cardeal nas relações humanas, para que sejam respeitadas as convicções e a dignidade de cada um".
A nossa Sublime Ordem proclama a TOLERÂNCIA entre os seus Iniciados.
O vocábulo TOLERAR não significa apenas ser indulgente, condescendente, transigente ou permissivo, mas acima de tudo significa saber suportar.
No mundo atual, praticar a tolerância a cada dia exige mais de nós, pois a conturbação social e a pressão psicológica exercidas sobre o homem, tornam-o mais que nunca exigente, imprudente, agressivo e até inconseqüente.
É nesse contexto que tolerar assume importância fundamental entre os homens.
Se o profano sente-se desobrigado de praticar a tolerância, para o Maçom o mesmo não acontece: TOLERAR É UM DEVER. Este princípio está intrinsecamente ligado a um dos fins supremo de nossa Sublime Ordem: A FRATERNIDADE.
O Salmo 133 da Bíblia Sagrada é elogio da concórdia e união fraterna, quando diz: "Ó quão bom e quão suave é viverem os Irmãos em união! É como o óleo precioso derramado na cabeça, que desce sobre a barba, a barba de Aarão e desce sobre a orla de suas vestes. É como orvalho do Hermon, que desce sobre o monte de Sião, porque o Senhor derramou ali a sua benção e a vida para sempre".
A cada dia, nós Maçons temos por obrigação exercitar a prática da tolerância, o que facilita sobremaneira todo o relacionamento entre os Irmãos, ampliando o espírito fraterno que existe no seio da nossa entidade milenar.
A partir da Iniciação o Maçom é uma pessoa diferenciada, porque se abrem as portas da verdadeira amizade. A fraternidade que passa a viver entre os Irmãos é a exteriorização mais concreta da felicidade de ser Maçom.
A tolerância do Maçom não pode se limitar apenas ao relacionamento com o próximo. Há que ser também paciência no desenvolvimento das etapas, que permite o crescimento e o progresso individual em todos os aspectos.
Não é fácil ser Maçom, Se relacionar exige paciência e tolerância, fazer progressos na Maçonaria exige muito mais.
Ingressar na Maçonaria já é difícil, fazer progresso na ordem é ainda mais.
Manter-se motivado é fundamental para o crescimento interior do Obreiro, o que lhe dá um prazer imensurável de ser Maçom.
Não raro, Iniciados deixam a Instituição logo após o seu ingresso. A verdade é que esses Irmãos não buscam a LUZ, assim, não conseguem ver o seu brilho, tampouco descobrem a sua direção. Para os que buscam o crescimento, o caminho é longo, contínuo e ás vezes áspero. É preciso saber perseverar.
No seio da Sublime Ordem, é necessário querer progredir, tolerar, estudar, buscar a verdade para que haja a transformação do homem que renasceu para o mundo.
O homem profano perde-se nas solicitações mundanas. O consumismo e a falta de interiorização deixam-o esquecido de si mesmo. Sua convivência com os vícios, acaba por fazê-lo infeliz. Nessa alienação passa a buscar a felicidade fora de si mesmo, nas drogas, no fanatismo religioso e tudo o mais que foge à própria pessoa, numa fuga do seu mundo vazio.
A Maçonaria é o oposto de tudo isso, daí a dificuldade de se buscar o crescimento no seu seio.
Acostumados que fomos à vida profana, às vezes perdidos na busca de objetivos vãos, encontramos dificuldades para alcançar a plenitude Maçônica. É por isso que alguns desistem. Contudo, o estudo contínuo propicia o aperfeiçoamento, pois através dele há uma constante evolução de conhecimentos.
A Iniciação de novos valores fortalece cada vez mais a nossa Instituição, porque vêm somar forças para a construção de sua grande obra: O bem da humanidade.