sábado, 8 de maio de 2010

O LÍDER MAÇÔNICO


"Para um verdadeiro líder, ter que mandar é uma derrota pessoal. Mas, se for preciso, ele vai mandar, até porque a vida não é feita somente de vitórias.
Um líder que conjuga excessivamente o verbo mandar, na primeira pessoa do singular, não é líder é chefe. E, chefe, só tem quem depende dele.
Se o líder a quem você segue usa muito o verbo mandar na primeira do singular, cuidado! Você pode não estar seguindo a um líder, mas vivendo com medo de um tirano e o medo é o pior sentimento que um ser humano pode experimentar. O medo vai encolhê-lo e transformá-lo em alguém fraco e incapaz de agir por conta própria (ainda que através do seu líder). Procure seguir alguém que conjugue o verbo poder, na primeira pessoa do plural. Vocês terão mais sucesso.
O líder de verdada não diz o que tem que ser feito, ao contrário, ouve (sente, enxerga) o que aqueles que são seus colegas de missão queiram e repete. O líder pode e tem o direito de dar "um toque pessoal" às decisões de um grupo, até porque ele faz parte do grupo e sua opinião também conta, mas, no final das contas, é o grupo quem deve decidir. O líder de verdade é mais um "seguidor" do que um "determinador".
A história destaca muitos chefes e poucos líderes, com efeito, vemos, infelizmente muitos líderes que viraram chefes, enebriados com a falta de capacidade daqueles a quem passaram a comandar.
Muitas vezes, o grupo não sabe o que quer, mas não cabe ao líder decidir, apenas conduzir o grupo a uma decisão de consenso. Voltando ao início, se precisar mandar, ele o fará, mas não se sentirá bem com isso. O líder que se sente bem mandando, não é líder, é tirano. Esse "tipo" de líder acontece, principalmente em sociedades cujo povo não tem preparo e é guiado como um rebanho.
Finalmente, o verdadeiro líder preocupa-se em vencer a mais difícil das batalhas que é contra a sua própria vaidade e os seus próprios defeitos, a batalha contra si mesmo. O verdadeiro líder é, antes de qualquer coisa, líder de si mesmo." - Winston Churchill

GRUPO MAÇÔNICO ORVALHO DO HERMON

Fundado em 31 de maio de 2006 - ANO V
Rio de Janeiro – RJ – Brasil

domingo, 2 de maio de 2010

- A LIDERANÇA E O VENERÁVEL -






Ir.'. Anatoli Oliynik - M.'.I.'.

A liderança pode ser considerada como uma das funções mais importantes e mais difíceis de serem exercidas em qualquer atividade humana.
Nas Lojas maçônicas a liderança do Venerável Mestre é de fundamental importância para a direção dos trabalhos, realização de projetos, dinamismo e união dos Irmãos, até porque cada maçom em particular se considera um líder e o confronto de líderes pode gerar conflitos.
É importante, também, distinguir liderança e autoritarismo. São concepções distintas. O autoritário é impositivo, dominador, arrogante, despótico e se impõe pelo poder que detém. O líder, por sua vez, é ético, confiável, sensato, cheio de energia, humilde, ansioso por aprender e se destaca pela competência em tratar com pessoas e com coisas.
Afinal, o que é liderança e qual a razão do tema?
Liderança é a capacidade de fazer com que todos remem na mesma direção, estimulados por um objetivo comum a todos.
É exatamente isto que os membros de uma Loja precisam fazer: remar na mesma direção, estimulados pelo Venerável Mestre.
O assunto está sendo abordado por um motivo muito simples. Fui inquirido por um Irmão se possuía algum material que pudesse ser utilizado numa loja maçônica no sentido de ensinar liderança ao Venerável Mestre. Disse-lhe que possuía um projeto operacional capaz de orientar a loja no estabelecimento de sua visão, missão, objetivos estratégicos etc. e que poderia ser de grande utilidade para a loja. Entretanto, percebi que o Irmão queria, efetivamente, era algum material relacionado diretamente com o tema liderança.
Alguns maçons quando são eleitos Veneráveis Mestres de suas lojas e após assumirem os seus cargos, presumem que serão seguidos, naturalmente, pelos irmãos do quadro. Este é o primeiro engano.
Outros, acreditam que a leitura de livros sobre liderança os tornarão aptos para o exercício da função de Venerável Mestre. Segundo engano.
Muitas pessoas que desejam se tornar líderes, compram livros e assistem a seminários na esperança de alcançarem seus objetivos. Essas iniciativas geram um sentimento de satisfação nelas mas, na prática, a liderança acaba sendo o resultado das ações conduzidas por uma pessoa. Por este motivo, ao invés de oferecer àquele irmão o material sobre liderança, ofereci a ele um projeto operacional capaz de dar rumo a loja, desde que haja participação e comprometimento de todos os membros do quadro na sua implementação. Se o resultado de um projeto desses ou de outro qualquer for positivo e aceito por todos, fará com que o condutor do projeto, no caso o Venerável Mestre, seja considerado por todos os irmãos do quadro e de outras lojas, um líder. Por outro lado, é possível, também, pesquisar as biografias dos grandes líderes e procurar pistas sobre suas habilidades, entretanto, os benefícios desse esforço serão ínfimos porque os autores desses livros biográficos descrevem apenas o que os líderes realizaram, mas não descrevem como e porque o realizaram. Na verdade, os próprios líderes pouco dizem como tornar-se um líder, porque não existe fórmula alguma para liderança. Há uma frase célebre: "Não importa o que o líder faz, mas sim o que o líder é". O próprio líder não consegue reconhecer suas características individuais e que fazem com que as pessoas o sigam, mas as pessoas respondem a essas características. Portanto, somente observações ao longo dos anos podem tornar esta perspectiva nítida.
O líder, por sua vez, deve utilizar não só a cabeça, mas também o coração. A liderança, em sua essência, deve tocar o coração e a alma. Ela está, quase sempre, fundamentada em uma conexão emocional e não racional. Philip Crosby tem uma definição de liderança muito interessante que é a seguinte: "Liderança é, deliberadamente, fazer com que as ações conduzidas por pessoas sejam planejadas, para permitir a realização do programa de trabalho do líder."
Adaptando esta definição para a linguagem maçônica, poderíamos ter algo assim:
Liderança é, deliberadamente, fazer com que as ações executadas pelos Irmãos da Loja sejam planejadas para permitir a realização do plano de trabalho do Venerável Mestre.
Precisamos desdobrar alguns elementos da definição para tornar a mensagem mais compreensível.
"Deliberadamente" significa que a Loja deve eleger um determinado caminho e um propósito, estabelecendo objetivos e metas claros na mente de todos os Irmãos. Significa, ainda, que o Venerável Mestre deve escolher cuidadosamente os membros para compor sua Diretoria e que conduza todos numa mesma direção.. Ações executadas pelos Irmãos" significa que os objetivos e metas devem ser alcançados por meio de ações empreendidas por todos os Irmãos e não ações executadas por um pequeno grupo deles.
"Planejadas" significa programar uma seqüência de eventos que permita que os Irmãos saibam, exatamente, aquilo que vai acontecer e o que se espera que cada um faça.
"Plano de trabalho do Venerável Mestre" refere-se às realizações específicas que o Venerável realmente deseja.

Portanto, caros Irmãos, para o exercício pleno da liderança é preciso seguir alguns princípios fundamentais:

1.Um programa de trabalho claro e definido.
2.Uma filosofia individual.
3.Relações duradouras.

Aqueles que desejam ser líderes precisam compreender, assimilar e implantar estes princípios de liderança.
Liderança envolve um trabalho árduo.
Muitos dos que aspiram ao papel de líder, não conseguem desempenhá-lo. Outros, têm os atributos adequados, mas nunca chegam a fazer qualquer coisa a respeito.
Existe uma idéia tradicional de que os líderes querem praticar o bem. Entretanto, nem todo líder tem um programa voltado para a prática do bem.
Freqüentemente, a liderança é uma arte da qual se abusa.
Conheço um caso em que o Venerável de uma Loja, decidiu levar sua Loja para outra Obediência em troca da isenção de cobrança das taxas e dos rituais por um período de dois anos. Um caso típico de liderança negativa.
Dignidade maçônica sendo "vendida" por um punhado de papéis e uns míseros trocados. Indignidades do Grão-Mestre (?!) corruptor e do Venerável corrompido, ambos líderes, porém, sem princípios éticos e morais.
Confesso que gostaria de estender-me muito além do que foi até aqui exposto, por se tratar de um assunto palpitante, complexo e controverso quanto a sua interpretação, mas, por outro lado, devo respeitar o limite de tolerância dos Irmãos em termos de tempo para leitura e também de espaço ocupado.
Para finalizar, permito-me apresentar, a seguir, um quadro que mostra os cinco perfis de liderança quanto a personalidade e características peculiares de seus agentes.
A Grade da Liderança - PERSONALIDADES
Destruidor
Procrastinador
Paralisador
Planejador
Realizador
Programa de trabalho
"Agora faremos isto deste modo."
"Vou colocar este assunto sob malhete. Mais tarde voltaremos e ele."
"Esteja certo de que isso não viola nenhum regulamento."
"Mostre a estratégia para que todos os IIr.'. possam vê-la."
"Revisaremos os pontos de referência, mensalmente."
Filosofia
"Tenho mais conhecimento que o Irmão."
"Não vamos apressar as coisas."
"Não se preocupe com aquilo que funciona"
"Quero que sejamos coerentes em tudo."
"Quero que todos conheçam nossa filosofia."
Forma de relacionar-se
"Não preciso dos Irmãos"
"Vamos ver primeiro como eles, lá do(a) Grande X, reagem."
"Faremos como sempre fizemos."
"Precisamos ter mais encontros e seminários etc."
"Vamos incluir outras Lojas e Irmãos.
O que vemos
Uma pedra bruta grosseira e insensível.
Um indivíduo relutante, nervoso e inseguro.
Um indivíduo congelado no tempo.
O progresso planejado.
Um indivíduo vibrante e coerente.

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GRUPO MAÇÔNICO ORVALHO DO HERMON
Fundado em 31 de maio de 2006 - ANO V
Rio de Janeiro - RJ - Brasil

quinta-feira, 29 de abril de 2010

AS SETE LÁGRIMAS DE UM MAÇOM

A primeira, eu dei a estes indiferentes que aqui vêm em busca de distração, para saírem ironizando aquilo que suas mentes ofuscadas não podem conceber...
A segunda a esses eternos duvidosos que acreditam, desacreditando, na expectativa de um milagre que os façam alcançar aquilo que seus próprios merecimentos negam.
A terceira distribuiu aos maus, aqueles que somente procuram a MAÇONARIA, em busca de vingança, desejando sempre prejudicar a um seu semelhante.
A quarta, aos frios e calculistas que sabem que existe uma irmandade e procuram beneficiar-se dela de qualquer forma e não conhecem a palavra gratidão.
A quinta, chega suave, tem o riso, o elogio da flor dos lábios mas se olharem bem o seu semblante, verão escrito:
A Maçonaria é a prática da beneficência e da investigação constante da verdade, Seus fins supremos são: LIBERDADE, IGUALDADE e FRATERNIDADE.
A sexta, eu dei aos fúteis que vão de loja em loja, que tem verdadeira psicose pelo poder, não acreditando em nada, buscam aconchegos e conchavos e seus olhos revelam um interesse diferente.
A sétima, filho, notas como foi grande e como deslizou pesada? Foi a última lágrima, aquela que vive nos "Olhos" de todos os mestres. Fiz doação dessas aos maçons vaidosos, que só aparecem na loja em dia de festa e faltam às doutrinas. Esquecem, que existem tantos irmãos precisando de caridade e tantas criancinhas precisando de amparo material e espiritual. Assim, meu irmão, foi para esses todos, que vistes cair, uma a uma.


Grupo Maçônico ORVALHO DO HERMON . Maçom

SELOS MAÔNICOS DO BRASIL E DO MUNDO
















SABEDORIA, FORÇA E BELEZA: As colunas representam a Sabedoria, que orienta no caminho da vida, a Força, que anima e sustenta o homem em todas as dificuldades, e a Beleza que adorna as ações, o caráter e o espírito do maçom.

ESCADA DE JACÓ: Simboliza a escala da hierarquia maçônica, na qual ascendem aqueles que pela fé e pelo esforço, tiverem conseguido transformar a pedra bruta em pedra polida, apta à construção da vida.

FERRAMENTAS DE TRABALHO: O "Esquadro, o Nível e o Prumo" simbolizam as ferramentas utilizadas pelos maçons na construção da Ordem.

DESBASTANDO A PEDRA BRUTA: Representa o Emblema do Aprendiz, ao qual cabe a obrigação de desvencilhar-se dos defeitos e das paixões, para poder trabalhar na construção moral da humanidade, que é a verdadeira obra da maçonaria.

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SER LIVRE E DE BONS COSTUMES

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SER LIVRE Ser livre significa ser independente, ganhar o suficiente para sua própria subsistência e de seus dependentes, atender aos seus compromissos sem prejuízo de quem quer que seja, ter consciência de seus deveres familiares, sociais, morais e religiosos, e executá-los com seriedade. Não ter compromissos com organizações que proíbam o acesso a correntes espiritualistas. Ser livre é possuir autonomia, é ter direito de reger-se. Deve-se, também, ser subjetivamente livre: de preconceitos, superstições, maledicências e qualquer escravidão. Ser livre é não ficar preso a um padrão estabelecido. Existem, no entanto, duas escalas de liberdade: a física e a psicológica, sendo que o cerceamento da liberdade física não impede que o indivíduo não experimente a liberdade espiritual. Muitas vezes, o conceito de liberdade é confundido pelo homem. Acreditando-se livre, é prisioneiro de si mesmo, da sua ignorância, preconceitos e arrogância. Liberdade é um estado de espírito; é poder ir em busca do desconhecido sem sentir-se preso a experiências passadas. Livre é alguém que não sendo irresponsável ou escandaloso, agredindo a sociedade por sua vida condenável, não seja por outro lado, joguete passivo das circunstâncias e das pessoas que o rodeiam. É alguém que sabe o que quer, não tem medo, que possui liberdade de pensamento e condições psicológicas para absorver determinados ensinamentos, através do estudo e da reflexão, sem pré-julgamentos. Ser Livre é ter coragem para criar, tendo sempre como objetivo o evoluir. SER DE BONS COSTUMES Ser de bons costumes é ter adquirido bons hábitos e salutares princípios que permitam conduzir-se a si mesmo em qualquer condição e lugar. Ser de bons costumes é ser honrado, empenhando todos os seus esforços por se tornar melhor a cada dia que passa. Auxiliar, na medida do possível, àqueles que imploram por sua benevolência. Abrandar o coração para com os seus antagonistas. Deixar, por donde quer que passe, um rastro de luz benéfica que deve caracterizar todo O Verdadeiro Maçom. Ser honrado, justo, de bom entendimento e rigorosa moralidade. Ser de bons costumes é ter hábitos sadios; ser capaz de superar obstáculos naturais - discussões interpessoais, ambientes confusos, dificuldades financeira, etc., através da coerência, do bom senso, da organização e do equilíbrio. Bons costumes aplica-se, principalmente, a ética do candidato. Mas a Ordem Maçônica espera tanto dos candidatos, como de seus integrantes, um espírito de verdadeira Fraternidade, Cooperação e Altruísmo. Portanto BONS COSTUMES, em Maçonaria, não deve ser encarado como se referindo apenas aos valores sociais consagrados. Deve, isto sim, ser entendido como um reto modo de vida, já que não há uma conotação meramente moralista nesse termo.

GRUPO MAÇÔNICO ORVALHO DO HERMON
Fundado em 31 de maio de 2006 - ANO IV
Rio de Janeiro – RJ – Brasil

quarta-feira, 28 de abril de 2010

O TRIBUNAL DE OSIRIS


O Julgamento de Osíris estava conectado com a idéia que os egípcios faziam da vida além túmulo. Essa vida transcorria-se numa região intermediária entre a terra e o céu, denominada Tuat.
O significado exato dessa palavra é desconhecido, mas geralmente ela é traduzida como “mundo do além”. Mais tarde, alguns estudiosos a associaram com a idéia de inferno, mas isso não é correto, já que o conceito de inferno integra sempre a idéia de um lugar onde as almas são castigadas sem esperança de remissão, o que não acontecia com a visão que os egípcios tinham da Tuat.
E depois, o conceito de inferno apareceu bem mais tarde na história do pensamento religioso, a partir do desenvolvimento da cultura cristã. Na cultura egípcia essa noção era desconhecida.
(....)
Acreditava-se que todos os mortos eram levados para um salão, para ali serem julgados pelos deuses. “ Os Senhores da Tuat”, era uma espécie de tribunal presidido pelo deus Osíris. Ali, um deus com cabeça de chacal, chamado Anúbis, pesava os corações dos defuntos numa balança, cujo contrapeso era uma pena de avestruz, símbolo da Maat.(2) Se o peso encontrado fosse inferior ao peso da pena, o deus Thot, (ou Hermes segundo os gregos), anotava o nome do defunto entre aqueles que podiam subir na “Barca de Osíris”, também conhecida como a “barca de milhões de anos de Rá”, para atravessar a Tuat em direção ao território luminoso do Deus Rá ( o sol), onde seu espírito se uniria áquele deus, tornando-se também um astro.
E o corpo do defunto, se todos seus atributos tivessem sido devidamente conservados, poderia continuar a viver eternamente nos Campos Elisios, na forma do seu ka.(3) Eis aí o motivo do extraordinário desenvolvimento das técnicas de conservação de múmias entre os egípcios. Se o ib do morto,( coração, ou consciência), pesasse mais que a pena,( significando que o defunto não tinha praticado Maat em vida), ele era entregue á fera Ammit, ( ou Apépi ) (3) que o devorava.
(....)
Essa representação é a base do ensinamento iniciático contido no mito de Osíris. O deus morto é como uma semente que se deposita no solo, e ali, na total ausência da luz, ela começa a regenerar-se. Osíris é também como o sol, que engolido pela serpente Apépi, atravessa as trevas da Tuat em busca da luz, semelhante á semente que, enterrada na escuridão da terra, rompe seu ventre e ressurge como planta nova para a luz do sol.
Da mesma forma, o homem que morria podia ser regenerado na Tuat, se na sua vida terrena tivesse aprendido a praticar Maat. Daí o conteúdo iniciático dos Mistérios de Isis e Osíris. O iniciado aprendia, mediante a prática do ritual adequado, a regenerar-se em vida, renascendo simbolicamente no espírito.
Éssa mesma idéia é desenvolvida na liturgia dos ritos maçônicos, por isso é que o conceito da Tuat tem muito interesse em qualquer estudo que se faça sobre a Maçonaria.
É desse conceito que vem o simbolismo da morte iniciática e ressurreição do iniciado através do Mito de Hiram. Desde as mais remotas eras, os sacerdotes egípcios utilizavam a simbologia da morte e ressurreição do deus Osíris, como fórmulas para a transmissão de conhecimentos iniciáticos. Comparavam a vida do homem ao curso do sol durante o dia e quando morria, ao tempo que corresponde á noite. Como o sol reaparecia todo dia, após vencer as trevas, também o homem poderia, repetindo certas fórmulas mágicas, renascer num novo corpo.
Assim eles desenvolveram uma complexa escatologia, na qual as almas dos mortos que tivessem sido sepultados com todas as cerimônias prescritas pelos deuses, e conhecessem as palavras certas para pronunciar perante eles, poderiam acompanhar o sol na sua barca, enquanto ele atravessava a parte da Tuat que eles deviam percorrer, enquanto estivessem mortos.
(...)
Todo o conteúdo mágico dos chamados Mistérios Egípcios visava a repetição simbólica desse processo de regeneração, pelo qual passava o deus em sua ressurreição, e que o iniciado devia repetir para poder ser, em vida, um adequado praticante de Maat, e após sua morte, ser julgado com benevolência pelos deuses.
Dado o conteúdo profundamente esotérico dessa crença, não é de admirar que os organizadores do ritual da maçonaria ( nos graus filosóficos) tenham se apropriado dela para passar aos iniciados a idéia de que o julgamento que realmente vale é o julgamento dos deuses. Não o julgamento faccioso dos inquisidores, nem o julgamento malicioso daqueles que nada sabem sobre o assunto que estão julgando.

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Notas:
(1)E. Wallis Budge- Os Deuses Egipcios- Vol I- Londres, 1945
(2) Maat era a deusa da Justiça, mas também significava um conceito moral. Viver Maat significava que o individuo era justo e perfeito.
(3) Ka era uma espécie de corpo astral existente em todo individuo.
(4) A Ordem dos Templários, que vários autores apontam como antecessora da Maçonaria, foi extinta pela Igreja em 1314. Vários membros dessa Ordem, inclusive seu Grão Mestre Jacques de Molay, foram condenados à fogueira. João Anatolino - Autor

Grupo Maçônico ORVALHO DO HERMON

quarta-feira, 10 de março de 2010

INTELEIGÊNCIA E MORAL

por Milton R. Medran Moreira*

“Há quem chegue às maiores alturas só para fazer as maiores baixezas.”

Ministro Carlos Ayres Brito, do Supremo Tribunal Federal

Talvez nunca, como nesta quadra da história republicana nacional, tenhamos tão agudamente percebido o distanciamento entre a inteligência e a ética, em determinadas figuras de nosso cenário político.

Enfrentando, em 5 de março último, o julgamento de um habeas corpus impetrado por governador de uma unidade da federação que, flagrado em suposto e grave ato de corrupção, saiu do palácio do governo diretamente para a prisão, um dos julgadores da mais alta corte da Justiça, negando-lhe concessão, deplorou o episódio, pronunciando a frase emblemática que serve de epígrafe a este artigo.

Os espíritos interlocutores de Allan Kardec, quando da elaboração de O Livro dos Espíritos (1857), enfatizaram esse componente do progresso humano: o descompasso entre o progresso intelectual e o moral. Aquele sempre anda mais depressa, disseram, porque “o fruto não pode vir antes da flor” (questão 791). Chegaram a asseverar que “à primeira vista, parece mesmo que o progresso intelectual redobra a atividade daqueles vícios” (falavam do orgulho e do egoísmo), “desenvolvendo a ambição e o gosto das riquezas” (q. 785). Complementaram, contudo, dizendo que “do mal pode nascer o bem” e que o conhecimento das leis maiores da vida conduz, necessariamente, o homem e a sociedade a estágios de melhoria moral.

Deploravelmente, homens que deveriam ser exemplos de honradez, em face dos elevados cargos que ocupam, têm protagonizado cenas de extremada vilania, locupletando-se despudoradamente dos bens públicos pelos quais deveriam zelar.

Se, entretanto, a impunidade foi até aqui regra, aos poucos, deixa de sê-lo. Há, felizmente, uma consciência em favor da ética pública que cresce no seio do povo e força a adoção de medidas profiláticas, punitivas e moralizadoras.

O conhecimento da verdadeira natureza espiritual do homem e de sua responsabilidade, além dos mecanismos legais e fiscalizadores aqui disponíveis, é instrumento poderoso de progresso moral. Talvez o mais eficiente para reduzir o descompasso claramente perceptível entre aquele e o progresso intelectual. Um e outro hão de se aproximar, no dia em que, definitivamente, se com-preender que inteligência sem ética é como uma árvore sem flores e sem frutos. * Jornalista, diretor de comunicação social do Centro Cultural Espírita de Porto Alegre

Fonte: Grupo Maçônico Orvalho do Hermon